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-Bem como era de se esperar, TWD deu uma desacelerada para mostrar as direções que a série irá tomar na segunda parte desta terceira temporada.

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– Muito bom o Governador mostrando sua face mais insana e sendo o grande antagonista da série até então.

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-É, agora a guilda dos sobreviventes ficou sem seu arqueiro, o grupo de Rick está cada vez mais fraco. Primeiro perderam Shane, que apesar de tudo era um chutabundas necessário contra os errantes, depois perdeu sua melhor Shooter, Andrea, para o Governador e ele não considera ainda a Michonne integrante do grupo (sendo que ela sozinha conseguiria equilibrar a balança). Só lhe restou Hershel, fazendo papel de healer e conselheiro, um bebê, seu filho aprendiz de psicopata, duas mulheres inúteis, um presidiário inútil E avulso, e o casal sendo que o japa Glenn vem crescendo muito bem a cada episódio, mas ainda falta muito pra ser considerado um dos tops (pelo menos na minha opinião).

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– Bom, os produtores estão introduzindo novos personagens e novos personagens podem significar duas coisas: Vai morrer gente no grupo principal ou os novos estão entrando só para morrer. Mas por esse ep já vimos que mesmo sendo um grupo pequeno eles já tem suas diferenças ideológicas. Dois caras desse grupo vão fazer merda….

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-Do outro lado o Governador não tá muito bem também não, além de um bando de soldados inúteis (provaram toda a sua inutilidade ao tentar conter a invasão do grupo de Rick e serem feitos de otários DUAS VEZES SEGUIDAS, além de  deixarem uma brecha para que errantes entrassem em Woodbury) e um cientista coxinha com cara de quem vai peidar na farofa ainda nessa temporada,. Só lhe resta como grande aliada  Andrea, The Shooter. Mas ele ainda pode transformar todos de Woodbury em um exército se quiser, afinal eles são o grupo de pessoas mais facilmente ludibriados da história das séries e este episódio mostra isso, eles se revoltam e se acalmam com qualquer meia dúzia de palavras rebuscadas, chega a ser cômico.

-Antes que alguém fale mal da Andrea, vamos relembrar que ela nunca morreu de amores pelo grupo de Rick, o único que ela se simpatizava mais era Shane e como ele,  ela tem também um temperamento inconstante. Pode ser até que ela volte no fim das contas pro grupo de Rick mas por hora ela realmente não tem motivos pra voltar, em Woodbury ela está num posição cada vez mais de liderança e até a bosta ir parar no ventilador, era um lugar bem confortável (se comparado a ficar no mato com a Michonne e dois zumbis de estimação).

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Esta temporada será basicamente a guerra entre os dois grupos, com os errantes de pano de fundo e é claro, Daryl e Merle são um capítulo a parte, com certeza eles se encontrarão na situação de ter que escolher entre um ou outro grupo. Talvez daí resulte um confronto definitivo entre os dois irmãos…

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Nossa, que final, Lori consegue ferrar tudo até morta ahaahah

Bem, Ainda existem mais surpresas vindo por aí, os produtores da séries revelaram que dois personagens dos quadrinhos serão introduzidos nesta segunda metade de temporada, sendo que um deles será decisivo. Eu já sei qual é graças a um spoiler monstro de uma imagem rolando na rede, mas deixemos a surpresa pra quem não está sabendo.

Conclusão: Não foi um episódio épico, tiveram mudanças necessárias para a trama desta nova fase e conseguiu manter o bom nível. Por mais que WD desacelere ele não pára, e isto é uma das principais razões do sucesso da série, a criatividade dos produtores em irem além das expectativas.

Nota do episódio (de 1 a 5) : 4 coins 

(nota: o texto acima reflete apenas considerações pessoais sobre o seriado, ninguém é dono da verdade e tem coisas muito mais sérias para se brigar que um seriado de tv, portanto se discordar, seja educado)

Parte 06

A vontade é de correr. Atravessar a cozinha, sair pela porta dos fundos e pular o muro. Fugir fugir fugir… Essa palavra ecoa na mente como um mantra demoníaco, um processo consumindo cem por cento do seu sistema não deixando espaço para outras tarefas como, por exemplo, um plano de fuga decente, ou como escalar um muro de mais de três metros, ou depois de escalado o muro, o que fazer pra descer três metros de altura no quintal da casa dos fundos, já que essa casa que você está não tem saída para rua pelos fundos. E se a casa dos fundos estiver trancada, ou pior, infestada?
Definitivamente a sua única saída é pela porta da frente, passando pelo desafio que está te esperando bem na sua frente, se debatendo na janela, desfigurado e descontrolado.
O que te separa do agressor é uma grade de ferro com um vão de pouco mais de quinze centímetros. E antes que ele perceba que se virar o corpo de lado pode ser que consiga entrar, é melhor dar um jeito de uma vez por todas. O problema é como dar “um jeito” em alguém que já levou um tiro no olho, arrancou as orelhas para tentar entrar pela grade e não parece estar nem um pouco preocupado com dor? Se o primeiro tiro não resolveu, tentar um segundo e acabar sem balas também não parece uma boa idéia. Talvez uma pancada com muita força bem dada no topo da cabeça resolva… Talvez nada resolva. Talvez essas coisas simplesmente não voltem mais a ficar mortas.


Mas você já os viu “morrerem” antes. Já sabe que tem que ser um golpe ou um tiro ou qualquer coisa atingindo a cabeça. E olhando ao redor, não parece ter nada tão efetivo quando um machado de incêndio ou uma boa marreta de uns cinco quilos. Quem garante que sair procurando ferramentas pela casa não vai dar tempo para a criatura descobrir uma maneira de entrar. Tudo o que você conseguiu encontrar à sua volta foi um pé de uma mesinha jogado próximo aos seus pés no meio dessa bagunça toda. Um bom pedaço de madeira forte o suficiente pra esmagar a cabeça de alguém. Pelo menos é tudo o que você consegue pensar nessa hora e então pega o pedaço de madeira e acerta o primeiro golpe bem no meio da crânio da criatura.
Sabe aquela frase “Vai doer mais em mim do que em você”? Pois é a primeira coisa que você lembra quando no momento em que acerta o golpe, o impacto da madeira é refletido diretamente na sua mão causando uma dor enorme. Talvez o problema disso seja que as próximas pancadas não serão tão fortes quanto à primeira, porque por puro instinto de preservação do seu próprio corpo você não seria capaz de causar danos à sua mão. Mas não nesse caso, onde a insanidade já tomou conta e o que manda aqui é outro instinto. O instinto de sobrevivência.
Então você bate uma, duas, três vezes bem no meio da cabeça da criatura que ainda insiste em tentar alcançar seus braços se movimentando cada vez mais rápido. Na madeira em sua mão tremula, sangue e cabelos mostram que os golpes não foram de brincadeira, mas o efeito não foi efetivo.

Mais uma série de pancadas que vão enfraquecendo conforme a dor de suas mãos aumenta cada vez mais e a maldita criatura ainda está se mexendo. Claro que o formato do crânio já começa a demonstrar os efeitos da brutalidade e já é possível notar na parede e na janela respingos da arte moderna doentia e você, o Picasso satânico com seu pincel de madeira pintando a morte em suas roupas sujas. Com muito mais força, outra pancada faz com que a criatura bata com o queixo na beirada da janela fraturando o maxilar em dezenas de pedaços.
Então cansado e suado, você para pra olhar o resultado, limpando o suor e sangue da testa. A criatura continua “viva”, porém agora com o maxilar fraturado e afundado dentro da própria boca os gemidos que já estavam piorando a situação de nervoso em que você está se tornaram abafados. Você olha pra sua mão e vê que as marcas da madeira já começam a se transformar em bolhas e quando você se preparava para mais uma seção de espancamento, seu antebraço é agarrado pela outra criatura que estava na porta e devido ao barulho veio tentar uma chance na janela também.
Para sua sorte, você não estava usando nenhum tipo de blusa de manga longa e com um puxão mais forte foi possível se livrar do agressor. Porém agora você tem duas criaturas na janela tentando te alcançar enquanto as outras três já estão na calçada a poucos metros de se juntarem aos companheiros e começar uma sinfonia de gemidos bem na sua janela. A serenata apocalíptica de amor, não por você, mas sim por sua carne.

Muito bem, e agora? Esperar todos eles se reunirem na janela e começar a bater ate sua mão ficar em carne viva e rezar para que um ou dois pare de se mexer ou sentar no chão em posição fetal e chorar feito uma criança faminta?
E então, quando tudo parecia perdido e que não poderia piorar, eis que surge um carro verde acelerando e se preparando para avançar em direção à janela. É muito para um dia só, um grupo de zumbis famintos em sua janela e agora um psicopata ao melhor estilo “Death Proof”, se preparando para vir em sua direção, totalmente decidido a bater em sua janela.
É engraçado como nos filmes se ensina tudo ao contrário mesmo. Nada de câmeras em slow motion com musica de suspense no fundo e pequenos pedaços de vidros flutuando ao ar, quase que parados, enquanto a câmera gira suavemente ao redor do carro. Nada de cenas em vários ângulos e cara de herói durante um salto digno de filmes de John Woo.
Não, na realidade você mal consegue ver a cara do motorista. Tudo acontece tão rápido que você só consegue ver a fumaça de cimento dos blocos da parede e centenas de estilhaços de vidros que devem ter vindo da janela ou do para brisa do carro quando atingiu a parede voando diretamente na sua cara.

Você pula meio de lado para trás tentando se proteger e é atingido por qualquer coisa. Um pedaço de concreto da parede, um braço de uma das criaturas, alguma coisa que voou do carro, realmente não da pra saber.
Então você cai no chão batendo primeiro com as costas e depois com a nuca, com força suficiente para dar um clarão na sua vista. Enquanto a dor está sendo processada por seus neurotransmissores, tudo que você consegue ouvir é uma buzina de carro disparada e aguda, porém estranhamente distante.

Então o som da buzina vai ficando cada vez mais distante enquanto milhares de vozes e imagens confusas tomam conta de sua mente e o clarão vai dando lugar a uma sequencia borrada de sombras até ficar totalmente escuro. Finalmente seu corpo se entrega depois de tantos dias de nervosismo e pouca alimentação e o desmaio vem cobrar o alto preço de muitas noites mal dormidas.

Tief

Episódios anteriores

Parte 05

Você corre ofegante e percebe que o desespero e a pressa conseguem desabilitar as ações mais simples, como passar por uma porta, segurá-la e fechá-la trancando com a chave. A chave, outro fator que no turbilhão do desespero, consegue sair do seu lugar e cair no chão antes que você pudesse dar uma simples volta na fechadura. Noventa graus para a esquerda e ela teria ficado presa suficiente para continuar a volta até trancar a porta, e não cair no chão, bater na ponta macia do seu tênis e ir parar debaixo da pequena mesinha à direita da porta.

Quantos palavrões você conhece? Quantas combinações deles você consegue fazer em quanto procura uma chave em baixo de uma mesinha, segurando a porta com um dos pés? Como se xingar em auto e bom tom assustasse a chave e fizesse ela aparecer arrependida na sua frente. E como se segurar uma porta de madeira com o pé iria impedir de alguém entrar. Alguém que nesse momento deveria já estar na porta, virando a maçaneta e entrando para pegar você, indefeso no chão, com metade do braço de baixo de uma mesinha, tateando atrás de uma chave. Mas não aconteceu. Nada aconteceu até agora.
Dois à zero para o desespero, quando você tentou levantar antes de tirar totalmente o braço debaixo da mesinha e sentiu o tranco no ante-braço, fazendo um belo de um ralado que vai incomodar por uns dois dias. Então mantendo a porta pressionada com o ombro, você tenta colocar a chave na fechadura, fazendo malabares com os dedos para deixá-la na posição correta par((BLAM))!!!

Então veio a primeira pancada na porta, como se alguém tivesse vindo da rua e esquecido que corpos humanos não atravessam objetos sólidos. Todos aqueles segundos que pareceram horas, não te prepararam emocionalmente para esse momento. O momento em que alguém com um tiro na cabeça e com o olho fora da órbita, iria bater com o corpo contra a porta que você estava apoiado, tentando trancar. Então começa a sua luta pela sobrevivência, onde girar um pedaço de metal de quatro centímetros em um cilindro encravado em um pedaço de madeira de um pouco mais de dois metros de altura, se tornou algo quase tão importante quando encher os pulmões com ar e manter as células do corpo trabalhando, juntando o oxigênio, a glicose e outros itens para gerar energia. Alias, glicose é algo que está em baixa no seu organismo, já que você não come a muito tempo, causando uma fraqueza e tontura e dificultando mais ainda a ação de trancar a porta. No meio de tudo isso, uma boa notícia é que a maçaneta é redonda e dessa forma não há perigo da criatura esbarrar o braço nela e abrir a porta. Mais uma voltinha e a chav((BLAM))!!!

Outra pancada e você grita alguma coisa com a criatura do outro lado da porta, como que se qualquer tipo de acordo ou diplomacia pudesse ser feito com alguém que nem se lembra como segurar e girar uma maçaneta. A chave termina de girar e a porta está trancada.
Porta trancada e local seguro, nem sempre fazem parte da mesma sentença, a menos que envolva grades, barricadas e madeira pregada no batente da porta. Ai podemos começar a falar de segurança. A situação esta complicada, mas pelo menos a falsa sensação de segurança lhe da espaço para diminuir a dosagem de adrenalina no organismo, respirar mais compassadamente e começar a pensar em um plano.

Ok, você está em um sobrado, em baixo está a sala, um pequeno corredor com um banheiro e a cozinha nos fundos. A janela da sala é mediana e tem grades que podem segurar qualquer um por algum tempo. A porta é de madeira, aparentemente solida, mas hoje em dia não da pra confiar em mais nada. Há muitos cacos de vidro no chão, provavelmente da mesa de centro que agora esta completamente despedaçada, como se alguém tivesse caído sobre ela. Há uma estante dessas mais simples, mas vazia e com marcas de que um dia uma TV esteve ali.
Engraçado pensar em que ao primeiro sinal de confusão em massa as pessoas fazem exatamente o contrário do que deveria ser feito. A primeira coisa que fazem é carregar objetos de valor, eletrônicos, jóias, toda a “riqueza” que encontrarem no local. Ok, você gasta energia e espaço em seu transporte carregando uma TV de 42 polegadas e varios notebooks e em dois dias você termina em algum lugar qualquer com uma dúzia de notebooks sem bateria, uma TV enorme que não serve nem pra se usar como espelho, dinheiro suficiente para comprar um carro, mas espere só! Não há nenhum comercio para se gastar esse dinheiro agora, então, papel por papel, voce poderia ter trazido um caderno pra contar a sua história infeliz de quem morreu de sede por ter esquecido de levar água.

Água. Isso deve ser sua prioridade acima de qualquer coisa. Esqueça a sacola cheia de armas e munição (se é que você vai encontrar alguma com tanta facilidade em sua cidade), esqueça os equipamentos eletrônicos como celulares e GPS, esqueça o excesso de roupas e objetos pessoais inúteis. O que você tiver de espaço livre, ocupe de alguma forma com água potável.
Quer um exemplo muito simples e básico agora mesmo? Nesse exato momento em que você está lendo esse texto, imagine que, por conta de toda a confusão gerada, você não tem mais água correndo na torneira. E de fato, em um problema de proporções catastróficas como essa, não há serviços básicos como água, luz e telefonia. Então imagine que ai mesmo na sua casa não há água em nenhum dos canos. Quanto você tem de água armazenada em sua casa? Talvez uma ou duas garrafas na geladeira? Com certeza no desespero completo, se você tiver um aquário ou algum vaso com água, você vai tentar beber isso mesmo, mas com certeza isso é o seu pior e talvez último erro. Riscos de ter uma diarreia causada por bactérias a essa altura do campeonato seria a pior forma de se morrer. E se você não tiver vasos e nem aquários? É isso mesmo caro amigo, o único lugar que vai ter dois ou três copos d’água será aquele vaso de porcelana com acento que todo banheiro tem. E convenhamos, eu ainda prefiro plantar uma dessas duas balas do seu revolver, bem no meio da minha fábrica de ideias, do que fazer igual ao meu cachorro no ápice do desespero de quem está desidratado e com sede.
Mas afinal, quanto tempo uma pessoa pode sobreviver sem água? Isso vai depender ((BLAM – BLAMM)) Ok, dessa vez seu coração fez uma pequena pausa de medo, entre uma batida e outra. Maldito zumbi está batendo com as mãos e o corpo contra a janela de vidro agora. Dizem que sustos como esse fazem bem ao coração. “Bem mal”, só se for. O estranho é que mesmo você vendo o zumbi na janela, você teve a impressão de que ele ainda bate na porta de madeira.
Continuando o assunto anterior, o tempo que alguém consegue sobreviver sem água pode variar, dois, três dias no máximo. Mas pode acontecer em horas também, tudo vai de acordo com muitas situações, como por exemplo temperatura ambiente, quantidade de esforço sendo feito, condições físicas da pessoa, etc… Perdemos água quando respiramos, falamos, suamos, produzimos energia no corpo, urinamos, entre outras ações bem básicas. Os sintomas da desidratação são tontura, dores de cabeça, enjoo, vômitos (sim, imagine que você está perdendo liquido e então começa a colocar o pouco que já tem pra fora!). Em casos mais graves o corpo começa a apresentar dificuldade de se mover, pois a falta de água nos músculos e nas juntas dificulta esse processo, perda significativa na temperatura do corpo e o próximo passo é com certeza o seu último em direção ao descanso eterno até que o vírus te acorde.

O barulho dos antebraços daquele zumbi batendo na janela está se tornando algo insuportável e você resolve fechar a cortina para conseguir espaço na mente para pensar em um plano para sair inteiro dessa casa. Quando você se aproxima da janela para puxar a cortina que você percebe que o barulho na porta era outro zumbi já em estágio bastante acelerado de decomposição e a pouca visão pelo angulo interno da janela combinado à quantidade de mordidas sofridas por aquele “cadáver móvel”, te faz imaginar se um dia foi um homem ou uma mulher. Na real, não da nem pra imaginar que isso um dia foi humano. Antes de você pensar que dois zumbis agora seriam um desafio, mais à sua frente, atravessando a rua, três criaturas se aproximam para participar da gincana. Muito bem, agora você tem praticamente cinco motivos para entrar em desesp((CRASH))… Aquele zumbi que você atirou a poucos minutos atrás, acaba de atravessar a grade da janela com a cabeça e quebrar o vidro da janela. Pra passar a cabeça pela janela, boa parte das orelhas ficaram para trás. Da pra imaginar do que é capaz um ser que não se importa em perder parte das orelhas para te alcançar e você ainda tem mais quatro deles na fila, esperando o café da manhã.

Episódios anteriores

Tief

Parte 02

Finalmente você conseguiu passar uma noite debaixo de um teto de verdade. Digo passar a noite, porque dormir de fato é algo que você já se esqueceu como é, depois de um pouco mais de uma semana se esgueirando de beco em beco, carros abandonados e terrenos baldios. A casa estava vazia, quer dizer, sem contar um cara morto no quarto e por isso você preferiu dormir trancado no banheiro. O cara estava realmente morto, apesar que depois que essa loucura começou a uns 10 dias atras, a palavra morto teve que ser riscada dos dicionários ou adicionado um hífen “vivo” nela. A certeza de que ele estava morto é porque o cara se matou com um tiro de 38 na cabeça. O corpo estava imóvel e parecia “colado” na parede, talvez pela ação do tempo, muito diferente dos que andam, apesar do mesmo cheiro, só que nesse mais forte.
Normalmente você diria: “Que sorte! A arma ficou na mão dele”. Mas o mais adequado aqui é dizer que a sorte foi a dele que não vai ter que se preocupar com tudo isso. Então a primeira ideia é pegar a arma da mão do “presunto” e virar “John Marston” do Red Dead Redemption. Só que aqui não é um jogo da Capcom e nem RockStar. A arma não fica simplesmente girando e brilhando no chão e muito menos vai aparecer uma opção “Pegar Revolver 38? >Sim/ Não”. Aqui é a realidade e você vai ter que por a mão em uma pessoa morta há três dias com uma cara fixa e olhos vazios e azulados pela decomposição, olhando diretamente pra você.

Uma coisa que nunca vai ter nos filmes é o cheiro. Você já viu milhares de filmes de terror ou de Zumbis, cheios de corpos e gente morta, mas nunca imaginou verdadeiramente como seria o tal cheiro de cadáver, a não ser pequenos animais mortos que são comuns em beira de estrada. Agora imagine o maior cachorro morto que você viu na vida e multiplique por 10 ou 12. Isso seria apenas um cadaver como esse no chão do quarto, com uma arma na mão e metade das ideias e lembranças espalhadas como uma obra de Picasso na parede. Mas agora imagine isso por toda a parte. Em qualquer lugar que você vá, você verá um ou dois desses espalhados pelo chão, carros, calçadas e pior andando! Talvez essa seja a pior parte na sobrevivencia à uma infestação de zumbis e até uma vantagem para eles, pois dificilmente você consegue ficar mais do que 5 minutos escondido no mesmo lugar com um corpo por perto. O cheiro gruda em você, literalmente falando e te segue mesmo aonde já não tenha mais cadaveres, ficando nas narinas. A melhor solução pra evitar ficar atordoado com isso é ter sempre um pouco de gasolina pra passar na gola da camisa. Cuidado! Gasolina pode ser pior que os andarilhos se você não se cuidar. Se você encharcar de mais a roupa, pode acabar queimando sua pele com o contato direto com a gasolina. Lembre-se que é só um pouco apenas para afastar o cheiro e não pra tomar banho com ela. Nem preciso dizer que se você fuma, já é mais que na hora de largar o vicio, ou você vai “se acender” como um cigarro anbulante. Nunca passe a gasolina diretamente na pele ou no rosto, ou debaixo das narinas, pois a gasolina irá queimar a sua pele.

Mas aqui e agora, você não tem gasolina e vai ter que chegar perto do corpo pra pegar a arma. Você coloca uma camiseta na boca pra tampar o cheiro, mas parece que o maldito “perfume de Thanatos” atravessa o tecido, dobrado em várias partes e desce garganta abaixo. Você segura a arma com força, os olhos lacrimejando, o coração disparado e a boca seca. Mas nada na vida real é tão fácil. O maldito rigor mortis está segurando a arma pelo cadáver e simplesmente puchar não é uma tarefa fácil. A arma esta bem presa pelos dedos. É ai que você larga tudo e corre pro banheiro respirar. A nausea agora é sua nova companheira. Mas vomitar não é uma opção, já que você não come nada desde ontem de manhã. Depois de algum tempo você volta, dessa vez decidido e já entregue à situação e bastante irritado. Pouco se importa em segurar a camiseta no rosto e vai com tudo com as duas mãos e finalmente arranca a arma das mãos do seu finado dono.
É uma Taurus 80, calibre 38 de 4 polegadas. Uma arma típica de vigia, o famoso “canela seca”. Você nunca pegou em uma arma na vida, mas afinal, qual é o segredo em apontar e apertar o gatilho? Não é das melhores armas, mas foi a única que você encontrou em todos esses dias. Não tinha nenhuma espingarda calibre 12 em carros de policia abandonados, nenhuma arma em gavetas de casas abandonadas, nenhum policial morto com uma bereta caida do lado, nem nenhum soldado com um rifle FAL dando sopa, muito menos nenhuma caixa de balas caiu quando você chutou alguma lixeira. O governo fez o seu dever de casa direitinho e desarmou a população e na vida real ter achado esse revolver “canela seca” com apenas 3 balas no tambor foi como ganhar na mega sena.

Tem sangue seco na arma e no cabo de borracha algo que parece pele, talvez da palma da mão do antigo dono, que se soltou com a força que você fez ao tentar removê-la. A principio vem a preocupação se essa “coisa” possa ser transmitida simplesmente por ter contato com as secreções dos infectados ou se o vírus (se é que realmente é um vírus) morreria junto com o hospedeiro. Mas não há tempo de pensar nisso, não há arrependimento em ter conseguido uma nova proteção e o melhor a fazer é passar um pano úmido no cabo, lavar bem as mãos com agua e sabão e procurar munição pela casa, já que o possível ex-morador tinha essa arma.
Mas e se você realmente encontrar algumas balas, vai saber diferenciar 38 pra .357? Mesmo que esteja escrito .357 na bala e ela for praticamente do mesmo tamanho você vai resistir a ideia de usar no seu 38? Dependendo do caso, a pressão de uma bala 38 é de 18.900 CUP, enquanto a de .357 é de 48.500 CUP. Para entender a diferença e calcular a pressão, o pneu de um carro é entre 28 e 30. Dessa forma, com uma arma em condições desconhecidas, ou até mesmo oxidadas como a do finado suicida, é arriscado o tambor do revolver explodir literalmente na sua cara. De qualquer forma, com a sua nova arma, você resolve sair atrás de comida, pois agora o seu maior inimigo mora dentro de você e se chama fome. (Continua…)

Parte 01

Tief

Você esta na sua casa, tranquilo de folga, assistindo TV e tomando café da manhã, totalmente despreocupado com a vida, afinal, seu time é líder no campeonato, sua esposa foi trabalhar hoje e você tem o dia todo pra não fazer absolutamente nada, sem ter que dar satisfação a ninguém.

Na TV, nada de tão importante que prenda a sua atenção em um único canal. Em um jornal local só se fala nas passeatas contra qualquer coisa que agora virou moda na sua cidade, um bando de adolescentes “maconhistas” e viciados em sites de relacionamento, sem muito que fazer, estão sempre se juntando na principal avenida da cidade para protestar sobre coisas inúteis no seu ponto de vista. O que lhe chama a atenção é que nas duas ultimas passeatas, a coisa se tornou violenta e alguns manifestantes atacaram a policia, alguns pedestres e até a si mesmos. “Bando de nóias”, você pensa.

Em outro canal só se fala nas duas novas epidemias, ambas relacionadas com algum animal doméstico, que honestamente, pouco te importa, já que você não tem bicho nenhum em casa e nem mora em nenhum desses países distantes que vem acontecendo essas epidemias. Pouco se importa também com os aeroportos fechados, afinal você só vai mesmo pro trabalho a alguns quilômetros de casa e nem tem tempo pra viajar. Talvez esteja um pouco preocupado porque os sintomas sejam muito parecidos com uma virose comum e algumas pessoas conhecidas estão consideravelmente adoecidas, mas na TV não diz nada sobre casos de infecção no seu País.
Em outros canais, nada de anormal e como sempre, a mesma programação sem graça de todos os dias.

A única coisa que lhe chama a atenção de verdade é a silhueta do alguém na sua janela através da cortina. É estranho porque a pessoa não tocou a campainha ou até mesmo bateu na porta. Apenas está lá dentro do seu quintal, em frente à sua janela, no que parece um estado meio catatônico, balançando levemente da esquerda para a direita, como fazem as pessoas Internadas em manicômios, em seu estado mais agravado. Você levanta devagar e pergunta com pouca firmeza na voz o clássico “Quem esta aí?”, mas ao invés de responder, a figura antes catatônica, agora começa a bater no vidro com as duas mãos, de forma desajeitada. Você pega uma vassoura (que afinal, é a única coisa ao seu lado naquele instante) e da um passo em direção da janela e antes que você afaste a cortina para ver que está na janela, algo que um dia foi o filho do seu vizinho, agora sujo, fedendo e semi devorado, atravessa o vidro da sua janela violentamente e antes que você pergunte “Que merda é essa”, o maldito moleque já cravou seis dos cacos de dentes agora podres em seu braço, tão fundo que lhe rompe um ou dois tendões. A dor é tão grande que você tem um momento de surdez e mal pode ouvir o próprio grito. A visão também é drasticamente abalada e tudo ao redor parece borrado e disforme. O primeiro instinto é livrar o braço, agora totalmente dormente pelo excesso de dor e adrenalina no organismo, mas a impressão é de que os poucos dentes do agressor já tocaram o seu osso. Você soca com força a cabeça para que ele solte o seu braço, seu punho desliza nos cabelos úmidos e pegajosos dele e a força da pancada não sai como planejado. Parece sangue, parece que ele lavou os cabelos em um balde de sangue e não da mais pra saber de quem é o sangue. Outro golpe mais forte e só piora a pressão da mordida. E aquele cheiro, o mesmo de uma ferida muito infeccionada que ficou dias abafada em trapos de curativos. Outro soco e agora você tem a impressão de ouvir um ruído próximo de um estalo de galhos se partindo, abafados pela camada de pele e músculo da cabeça atingida, mas o cara parece não sentir absolutamente nada e cada impacto faz com que a carne do seu braço se rasge pouco a pouco, aumentando a ferida, mas não há força suficiente para que a mordida fique mais funda ou que o pedaço abocanhado seja arrancado, fazendo com que o agressor solte seu braço involuntariamente, deixando nele um ou dois pedaços de dentes.
A dor é lacerante e você perde o equilíbrio. O cheiro é insuportável e você já não sabe mais se é a causa do enjoo ou se foi a dor insuportável do braço. A impressão que você tem é que tudo está em câmera lenta, mas na realidade é justamente ao contrário, seu cérebro é que não consegue processar mais o que está acontecendo e parece que seu campo de visão diminuiu e você está vendo um filme rodando com metade dos frames. A ultima coisa que você vê antes de entrar completamente em choque pela dor é o seu vizinho se levantando lentamente, o cheiro está mais forte. Talvez duas ou três pessoas estejam entrando pela janela destruída, vindo em sua direção, com aquele cheiro. Agora você já sabe que cheiro é esse. É o cheiro de gente morta, de sangue coagulado. Então você desmaia antes de tudo acabar.
Ou será começar?

A história que acabei de escrever poderia ter um final diferente se você estivesse preparado. Realmente é difícil sobreviver a um ataque sendo pego de surpresa, no entanto, se você tiver algumas noções sobre o que pode vir a ser um ataque de zumbis, seria possível prever os sinais presentes nas noticias e se precaver de situações muito parecidas com a história acima.

Primeiro de tudo, quero deixar bem claro que esse post não é em momento algum nenhuma cópia, tradução ou plágio do livro “Zombie Survival Guide” do Max Brooks. Muito pelo contrário, o livro me serviu de inspiração para essa série que estou iniciando no Blog, tanto como foram os filmes de Romero e algumas adaptações e games com o mesmo tema.
Esta série tem como finalidade, prepará-lo para um eventual encontro com os chamados “Mortos Vivos” em qualquer situação, seja um pequeno caso isolado em um bairro, como algo maior como uma cidade, país, ou até mesmo um apocalipse mundial de proporções catastróficas, onde uma estimativa de vida a longo ou médio prazo, cai para absolutamente ZERO.
Tentarei desmistificar o tema “Zumbi”, separando a realidade da ficção apresentada nos famosos filmes hollywoodianos, abordando formas de combate e armas realmente eficazes, como outros assuntos de vital importância para a sobrevivência o máximo de tempo possível.

Continuarei com os outros posts da “programação normal” sobre games e coisas geeks, mas vez ou outra irei postar pequenos capítulos sobre essa nova serie em meu blog. Espero que tenhamos tempo de abordar todos os assuntos principais, antes que o pior nos aconteça.

Até a próxima edição, ou não…

Edit: Parte 02

Tief