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Ano de 2010. Playstation 3 dominando o mercado com seus jogos com suporte para as novas TVs 3D e o Xbox 360 batendo de frente com o seu novo equipamento de reconhecimento de movimentos, o tal do Kinect. Em algum lugar no Brasil, alguém ainda coloca o seu cartucho “Frogger” em seu Atari 2600 (Claro, sem antes dar aquela assoprada clássica que era o charme dos videogames de cartucho) e começa a jogar na mesma TV LCD que o seu PS3.

Mas como isso é possível? Qual é a mágica para funcionar um videogame com saída RF em TVs com entrada A/V?

Antes de qualquer coisa, uma breve descrição sobre entradas de vídeo e suas diferenças:

Videogames com conexão RF (Rádio Freqüência)

Ex: Atari, Nintendo 8 Bits, Master Sistem, Mega Drive, Super Nintendo.

RF ou rádio freqüência foi a conexão mais utilizada entre os videogames até mais ou menos a geração 16bits. O

Super Nintendo já vinha com uma entrada A/V e um cabo A/V Extra, mas eu bem me lembro que na época, minha TV só tinha entrada RF e eu quase não usei o cabo A/V. Esse tipo de conexão costumava deixar a imagem muito poluída com chuviscos pois o sinal de áudio e vídeo era misturado em um único sinal de rádio freqüência pelo cabo coaxial e depois a TV que recebia o sinal, separava o áudio e vídeo para exibir o conteúdo, geralmente era necessário colocar em um canal específico da TV (Canal 3 ou 4).

Videogames com conexão A/V (Audio e Vídeo Composto)

É o clássico trio de cabos amarelo, vermelho e branco. Foi o mais utilizado de todos até a nova geração em alta resolução. Nesse caso o vídeo (Cabo amarelo) é separado do áudio (Branco e vermelho, ou só branco quando é mono).

Depois vieram as conexões melhores como o vídeo componente e o HDMI para o Playstation 3 e as ultimas versões do Xbox360.

Mas e o Atari? Como fazer para ligar o Atari em uma TV atual utilizando as entradas de vídeo componente? Existe algum tipo de adaptador?

A Saga da Ressurreição:

Eu estava limpando um armário velho, cheio de tranqueiras que eu tenho no porão de casa e achei o meu Atari soterrado entre rádios quebrados e outras porcarias eletrônicas. Fiquei com dó do estado da criatura e resolvi ver se depois de tantos anos guardado seria possível funcionar. Então me deparei com o problema da conexão de vídeo antiga dele.

Pesquisei na internet algum tipo de adaptador ou conector e ao invés disso, encontrei um tutorial que ensinava a fazer um MOD para converter o Atari de RF para A/V.

O endereço era esse: http://sti.br.inter.net/elucas/artigos/Atari-AV/

A idéia era muito simples e exigia bem pouco de conhecimentos de eletrônica. Bastava saber como soldar fios resistores e capacitores e também saber como remover componentes eletrônicos soldados em uma placa a mais de 30 anos atrás.

Esse vídeo mostra como foi o trabalho de alteração do videogame, mas como eu fiz tudo totalmente sozinho, inclusive a filmagem com uma câmera fotográfica digital comum, só consegui filmar partes do trabalho. Não tinha como filmar e soldar ao mesmo tempo, por exemplo. Postei o vídeo no Youtube, segue o link:

Primeiro de tudo tive que literalmente lavar o videogame! Desmontei ele e toda a parte plástica da carcaça, que estava dominada pela poeira, lavei com água e sabão, esfreguei muito mesmo pra sair aquela crosta nojenta de 20 anos nele. Mesmo depois de lavar, algumas partes ficaram esbranquiçadas, provavelmente pela ação do tempo no material. Passei uma espécie de graxa líquida de sapato, daquelas que vem no tubinho com esponja na ponta e ficou com cara de novo outra vez.

Fui à Santa Ifigênia compras os componentes da lista e não sabia a dificuldade que seria de encontrar pequenos componentes eletrônicos como capacitores e resistores.  Quando encontrei uma “microlojinha”, daquelas que é só um corredor mesmo, mas que tinha tudo que você pode imaginar. Entreguei pra senhora do balcão a minha lista e ela juntou todos os componentes em um saquinho e quando eu achei que iria gastar uma graninha razoável, eu vi o preço e fiquei em choque! Oitenta centavos! Isso mesmo, R$0,80 oitenta centavos em material pra fazer a modificação. Tudo bem que isso não incluía o cabo A/V e nem a solda que eu gastei, mas em fim, muito barato pra trazer o videogame de volta à vida.

Removi a tal plaquinha moduladora RF PAL-M e troquei o cristal NTSC. Na hora de soldar os fios e os resistores no chip STELLA, confesso que fiquei um pouco preocupado em errar os pinos soldando por baixo da placa, então fiz uma “gambiarra” recurso técnico e soldei os resistores direto “nas perninhas” do chip. Engraçado é que cada vez que eu esquentava uma solda da placa para remover um componente, subiu um cheiro horrível de veneno de barata antigo, talvez da solda usada, sei lá.

Feito todas as ligações que o tutorial pedia, liguei os cabos de vídeo e o de áudio (infelizmente o videogame vai ficar mono por limitação do próprio hardware) na TV, cruzei os dedos e liguei o videogame. A princípio apareceu uma imagem um pouco distorcida e sem cor do jogo, mas o controle não respondia. Então lembrei que esses videogames antigos não tinham tela de apresentação e o jogo iniciava na tela de “gameover”.  Iniciei o jogo e a musica nostálgica de Frogger quase me fez chorar, só que alguma coisa ainda não estava certa. A imagem estava perfeita, porem continuava sem cor. Mais algumas pesquisas na internet e encontrei esse outro site falando sobre como resolver o problema do NTSC de vez:

http://www.victortrucco.com/Atari/AtariPolyvoxNTSC/AtariPolyvoxNTSC.asp

No site, o autor mostra um capacitor (o tal do C14) que precisa ser removido e no seu lugar, deve ser feito um “Jumper” com um pedaço de fio. Caguei nas calças de medo de remover o tal capacitor e a porcaria do videogame morrer e todo o trabalho ir pro ralo. É triste ser Noob em eletrônica, juro que fiquei 15 minutos com o ferro de solda na mão, olhando pra placa do Atari, pensando se devia ou não arrancar o tal do capacitor. O Dilema era que funcionava, mas sem cor e remover o capacitor poderia fazer o VG deixar de funcionar e ficar sem cor, nem imagem, nem porcaria nenhuma. Então pensei: Fuck that shit! O VG nem funcionando estava mais, na pior das hipóteses eu iria colocar ele na estante sem os fios apenas para display. Arranquei o diabo do capacitor, fiz o jumper com o pedaço de fio e voltei a ligar o VG na TV.

Então eu vi a imagem mais linda de toda a minha vida nerd-gamistica. Atari Fullscreen colorido sem um ponto de chuvisco rodando em uma TV LCD de 40 polegadas. Acho que se alguém na época que inventaram o Atari tivesse a visão que eu tive ninguém pensaria em evoluir para as novas gerações.

Conclusão: Consegui fazer funcionar o Mod, mas ainda não comprei os jogos que eu mais curtia. Infelizmente não sei que fim levou meus antigos cartuchos e hoje tenho apenas o Frogger e um clone safado do Space Invaders. Estou muito feliz por ter feito essa ressurreição, mesmo que realmente eu não esteja jogando tanto quanto achei que iria. Vou preparar um post relacionado à outra aventura no mundo da gambiarra modificação de eletrônicos. Como fazer o seu próprio Fliperama Arcade em casa.

</ Tief >

 

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