Arquivo da categoria ‘Zombie Survival’

-Bem como era de se esperar, TWD deu uma desacelerada para mostrar as direções que a série irá tomar na segunda parte desta terceira temporada.

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– Muito bom o Governador mostrando sua face mais insana e sendo o grande antagonista da série até então.

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-É, agora a guilda dos sobreviventes ficou sem seu arqueiro, o grupo de Rick está cada vez mais fraco. Primeiro perderam Shane, que apesar de tudo era um chutabundas necessário contra os errantes, depois perdeu sua melhor Shooter, Andrea, para o Governador e ele não considera ainda a Michonne integrante do grupo (sendo que ela sozinha conseguiria equilibrar a balança). Só lhe restou Hershel, fazendo papel de healer e conselheiro, um bebê, seu filho aprendiz de psicopata, duas mulheres inúteis, um presidiário inútil E avulso, e o casal sendo que o japa Glenn vem crescendo muito bem a cada episódio, mas ainda falta muito pra ser considerado um dos tops (pelo menos na minha opinião).

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– Bom, os produtores estão introduzindo novos personagens e novos personagens podem significar duas coisas: Vai morrer gente no grupo principal ou os novos estão entrando só para morrer. Mas por esse ep já vimos que mesmo sendo um grupo pequeno eles já tem suas diferenças ideológicas. Dois caras desse grupo vão fazer merda….

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-Do outro lado o Governador não tá muito bem também não, além de um bando de soldados inúteis (provaram toda a sua inutilidade ao tentar conter a invasão do grupo de Rick e serem feitos de otários DUAS VEZES SEGUIDAS, além de  deixarem uma brecha para que errantes entrassem em Woodbury) e um cientista coxinha com cara de quem vai peidar na farofa ainda nessa temporada,. Só lhe resta como grande aliada  Andrea, The Shooter. Mas ele ainda pode transformar todos de Woodbury em um exército se quiser, afinal eles são o grupo de pessoas mais facilmente ludibriados da história das séries e este episódio mostra isso, eles se revoltam e se acalmam com qualquer meia dúzia de palavras rebuscadas, chega a ser cômico.

-Antes que alguém fale mal da Andrea, vamos relembrar que ela nunca morreu de amores pelo grupo de Rick, o único que ela se simpatizava mais era Shane e como ele,  ela tem também um temperamento inconstante. Pode ser até que ela volte no fim das contas pro grupo de Rick mas por hora ela realmente não tem motivos pra voltar, em Woodbury ela está num posição cada vez mais de liderança e até a bosta ir parar no ventilador, era um lugar bem confortável (se comparado a ficar no mato com a Michonne e dois zumbis de estimação).

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Esta temporada será basicamente a guerra entre os dois grupos, com os errantes de pano de fundo e é claro, Daryl e Merle são um capítulo a parte, com certeza eles se encontrarão na situação de ter que escolher entre um ou outro grupo. Talvez daí resulte um confronto definitivo entre os dois irmãos…

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Nossa, que final, Lori consegue ferrar tudo até morta ahaahah

Bem, Ainda existem mais surpresas vindo por aí, os produtores da séries revelaram que dois personagens dos quadrinhos serão introduzidos nesta segunda metade de temporada, sendo que um deles será decisivo. Eu já sei qual é graças a um spoiler monstro de uma imagem rolando na rede, mas deixemos a surpresa pra quem não está sabendo.

Conclusão: Não foi um episódio épico, tiveram mudanças necessárias para a trama desta nova fase e conseguiu manter o bom nível. Por mais que WD desacelere ele não pára, e isto é uma das principais razões do sucesso da série, a criatividade dos produtores em irem além das expectativas.

Nota do episódio (de 1 a 5) : 4 coins 

(nota: o texto acima reflete apenas considerações pessoais sobre o seriado, ninguém é dono da verdade e tem coisas muito mais sérias para se brigar que um seriado de tv, portanto se discordar, seja educado)

Ô, tô aqui pra avisar que a partir da retorno de temporada de The Walking Dead, vou começar a comentar todos os episódios aqui no Insert Koin. Prometo não entrar na zé-ruelice de “Ai, mas na HQ era assim, mimimi…” HQ é HQ e TV é TV e já era. Então não PERDAM!

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Comentários sem zé-ruelices do WD? Só aqui no Insert Koinnaheagraaaaammsnsf

 

Parte 06

A vontade é de correr. Atravessar a cozinha, sair pela porta dos fundos e pular o muro. Fugir fugir fugir… Essa palavra ecoa na mente como um mantra demoníaco, um processo consumindo cem por cento do seu sistema não deixando espaço para outras tarefas como, por exemplo, um plano de fuga decente, ou como escalar um muro de mais de três metros, ou depois de escalado o muro, o que fazer pra descer três metros de altura no quintal da casa dos fundos, já que essa casa que você está não tem saída para rua pelos fundos. E se a casa dos fundos estiver trancada, ou pior, infestada?
Definitivamente a sua única saída é pela porta da frente, passando pelo desafio que está te esperando bem na sua frente, se debatendo na janela, desfigurado e descontrolado.
O que te separa do agressor é uma grade de ferro com um vão de pouco mais de quinze centímetros. E antes que ele perceba que se virar o corpo de lado pode ser que consiga entrar, é melhor dar um jeito de uma vez por todas. O problema é como dar “um jeito” em alguém que já levou um tiro no olho, arrancou as orelhas para tentar entrar pela grade e não parece estar nem um pouco preocupado com dor? Se o primeiro tiro não resolveu, tentar um segundo e acabar sem balas também não parece uma boa idéia. Talvez uma pancada com muita força bem dada no topo da cabeça resolva… Talvez nada resolva. Talvez essas coisas simplesmente não voltem mais a ficar mortas.


Mas você já os viu “morrerem” antes. Já sabe que tem que ser um golpe ou um tiro ou qualquer coisa atingindo a cabeça. E olhando ao redor, não parece ter nada tão efetivo quando um machado de incêndio ou uma boa marreta de uns cinco quilos. Quem garante que sair procurando ferramentas pela casa não vai dar tempo para a criatura descobrir uma maneira de entrar. Tudo o que você conseguiu encontrar à sua volta foi um pé de uma mesinha jogado próximo aos seus pés no meio dessa bagunça toda. Um bom pedaço de madeira forte o suficiente pra esmagar a cabeça de alguém. Pelo menos é tudo o que você consegue pensar nessa hora e então pega o pedaço de madeira e acerta o primeiro golpe bem no meio da crânio da criatura.
Sabe aquela frase “Vai doer mais em mim do que em você”? Pois é a primeira coisa que você lembra quando no momento em que acerta o golpe, o impacto da madeira é refletido diretamente na sua mão causando uma dor enorme. Talvez o problema disso seja que as próximas pancadas não serão tão fortes quanto à primeira, porque por puro instinto de preservação do seu próprio corpo você não seria capaz de causar danos à sua mão. Mas não nesse caso, onde a insanidade já tomou conta e o que manda aqui é outro instinto. O instinto de sobrevivência.
Então você bate uma, duas, três vezes bem no meio da cabeça da criatura que ainda insiste em tentar alcançar seus braços se movimentando cada vez mais rápido. Na madeira em sua mão tremula, sangue e cabelos mostram que os golpes não foram de brincadeira, mas o efeito não foi efetivo.

Mais uma série de pancadas que vão enfraquecendo conforme a dor de suas mãos aumenta cada vez mais e a maldita criatura ainda está se mexendo. Claro que o formato do crânio já começa a demonstrar os efeitos da brutalidade e já é possível notar na parede e na janela respingos da arte moderna doentia e você, o Picasso satânico com seu pincel de madeira pintando a morte em suas roupas sujas. Com muito mais força, outra pancada faz com que a criatura bata com o queixo na beirada da janela fraturando o maxilar em dezenas de pedaços.
Então cansado e suado, você para pra olhar o resultado, limpando o suor e sangue da testa. A criatura continua “viva”, porém agora com o maxilar fraturado e afundado dentro da própria boca os gemidos que já estavam piorando a situação de nervoso em que você está se tornaram abafados. Você olha pra sua mão e vê que as marcas da madeira já começam a se transformar em bolhas e quando você se preparava para mais uma seção de espancamento, seu antebraço é agarrado pela outra criatura que estava na porta e devido ao barulho veio tentar uma chance na janela também.
Para sua sorte, você não estava usando nenhum tipo de blusa de manga longa e com um puxão mais forte foi possível se livrar do agressor. Porém agora você tem duas criaturas na janela tentando te alcançar enquanto as outras três já estão na calçada a poucos metros de se juntarem aos companheiros e começar uma sinfonia de gemidos bem na sua janela. A serenata apocalíptica de amor, não por você, mas sim por sua carne.

Muito bem, e agora? Esperar todos eles se reunirem na janela e começar a bater ate sua mão ficar em carne viva e rezar para que um ou dois pare de se mexer ou sentar no chão em posição fetal e chorar feito uma criança faminta?
E então, quando tudo parecia perdido e que não poderia piorar, eis que surge um carro verde acelerando e se preparando para avançar em direção à janela. É muito para um dia só, um grupo de zumbis famintos em sua janela e agora um psicopata ao melhor estilo “Death Proof”, se preparando para vir em sua direção, totalmente decidido a bater em sua janela.
É engraçado como nos filmes se ensina tudo ao contrário mesmo. Nada de câmeras em slow motion com musica de suspense no fundo e pequenos pedaços de vidros flutuando ao ar, quase que parados, enquanto a câmera gira suavemente ao redor do carro. Nada de cenas em vários ângulos e cara de herói durante um salto digno de filmes de John Woo.
Não, na realidade você mal consegue ver a cara do motorista. Tudo acontece tão rápido que você só consegue ver a fumaça de cimento dos blocos da parede e centenas de estilhaços de vidros que devem ter vindo da janela ou do para brisa do carro quando atingiu a parede voando diretamente na sua cara.

Você pula meio de lado para trás tentando se proteger e é atingido por qualquer coisa. Um pedaço de concreto da parede, um braço de uma das criaturas, alguma coisa que voou do carro, realmente não da pra saber.
Então você cai no chão batendo primeiro com as costas e depois com a nuca, com força suficiente para dar um clarão na sua vista. Enquanto a dor está sendo processada por seus neurotransmissores, tudo que você consegue ouvir é uma buzina de carro disparada e aguda, porém estranhamente distante.

Então o som da buzina vai ficando cada vez mais distante enquanto milhares de vozes e imagens confusas tomam conta de sua mente e o clarão vai dando lugar a uma sequencia borrada de sombras até ficar totalmente escuro. Finalmente seu corpo se entrega depois de tantos dias de nervosismo e pouca alimentação e o desmaio vem cobrar o alto preço de muitas noites mal dormidas.

Tief

Episódios anteriores

Parte 05

Você corre ofegante e percebe que o desespero e a pressa conseguem desabilitar as ações mais simples, como passar por uma porta, segurá-la e fechá-la trancando com a chave. A chave, outro fator que no turbilhão do desespero, consegue sair do seu lugar e cair no chão antes que você pudesse dar uma simples volta na fechadura. Noventa graus para a esquerda e ela teria ficado presa suficiente para continuar a volta até trancar a porta, e não cair no chão, bater na ponta macia do seu tênis e ir parar debaixo da pequena mesinha à direita da porta.

Quantos palavrões você conhece? Quantas combinações deles você consegue fazer em quanto procura uma chave em baixo de uma mesinha, segurando a porta com um dos pés? Como se xingar em auto e bom tom assustasse a chave e fizesse ela aparecer arrependida na sua frente. E como se segurar uma porta de madeira com o pé iria impedir de alguém entrar. Alguém que nesse momento deveria já estar na porta, virando a maçaneta e entrando para pegar você, indefeso no chão, com metade do braço de baixo de uma mesinha, tateando atrás de uma chave. Mas não aconteceu. Nada aconteceu até agora.
Dois à zero para o desespero, quando você tentou levantar antes de tirar totalmente o braço debaixo da mesinha e sentiu o tranco no ante-braço, fazendo um belo de um ralado que vai incomodar por uns dois dias. Então mantendo a porta pressionada com o ombro, você tenta colocar a chave na fechadura, fazendo malabares com os dedos para deixá-la na posição correta par((BLAM))!!!

Então veio a primeira pancada na porta, como se alguém tivesse vindo da rua e esquecido que corpos humanos não atravessam objetos sólidos. Todos aqueles segundos que pareceram horas, não te prepararam emocionalmente para esse momento. O momento em que alguém com um tiro na cabeça e com o olho fora da órbita, iria bater com o corpo contra a porta que você estava apoiado, tentando trancar. Então começa a sua luta pela sobrevivência, onde girar um pedaço de metal de quatro centímetros em um cilindro encravado em um pedaço de madeira de um pouco mais de dois metros de altura, se tornou algo quase tão importante quando encher os pulmões com ar e manter as células do corpo trabalhando, juntando o oxigênio, a glicose e outros itens para gerar energia. Alias, glicose é algo que está em baixa no seu organismo, já que você não come a muito tempo, causando uma fraqueza e tontura e dificultando mais ainda a ação de trancar a porta. No meio de tudo isso, uma boa notícia é que a maçaneta é redonda e dessa forma não há perigo da criatura esbarrar o braço nela e abrir a porta. Mais uma voltinha e a chav((BLAM))!!!

Outra pancada e você grita alguma coisa com a criatura do outro lado da porta, como que se qualquer tipo de acordo ou diplomacia pudesse ser feito com alguém que nem se lembra como segurar e girar uma maçaneta. A chave termina de girar e a porta está trancada.
Porta trancada e local seguro, nem sempre fazem parte da mesma sentença, a menos que envolva grades, barricadas e madeira pregada no batente da porta. Ai podemos começar a falar de segurança. A situação esta complicada, mas pelo menos a falsa sensação de segurança lhe da espaço para diminuir a dosagem de adrenalina no organismo, respirar mais compassadamente e começar a pensar em um plano.

Ok, você está em um sobrado, em baixo está a sala, um pequeno corredor com um banheiro e a cozinha nos fundos. A janela da sala é mediana e tem grades que podem segurar qualquer um por algum tempo. A porta é de madeira, aparentemente solida, mas hoje em dia não da pra confiar em mais nada. Há muitos cacos de vidro no chão, provavelmente da mesa de centro que agora esta completamente despedaçada, como se alguém tivesse caído sobre ela. Há uma estante dessas mais simples, mas vazia e com marcas de que um dia uma TV esteve ali.
Engraçado pensar em que ao primeiro sinal de confusão em massa as pessoas fazem exatamente o contrário do que deveria ser feito. A primeira coisa que fazem é carregar objetos de valor, eletrônicos, jóias, toda a “riqueza” que encontrarem no local. Ok, você gasta energia e espaço em seu transporte carregando uma TV de 42 polegadas e varios notebooks e em dois dias você termina em algum lugar qualquer com uma dúzia de notebooks sem bateria, uma TV enorme que não serve nem pra se usar como espelho, dinheiro suficiente para comprar um carro, mas espere só! Não há nenhum comercio para se gastar esse dinheiro agora, então, papel por papel, voce poderia ter trazido um caderno pra contar a sua história infeliz de quem morreu de sede por ter esquecido de levar água.

Água. Isso deve ser sua prioridade acima de qualquer coisa. Esqueça a sacola cheia de armas e munição (se é que você vai encontrar alguma com tanta facilidade em sua cidade), esqueça os equipamentos eletrônicos como celulares e GPS, esqueça o excesso de roupas e objetos pessoais inúteis. O que você tiver de espaço livre, ocupe de alguma forma com água potável.
Quer um exemplo muito simples e básico agora mesmo? Nesse exato momento em que você está lendo esse texto, imagine que, por conta de toda a confusão gerada, você não tem mais água correndo na torneira. E de fato, em um problema de proporções catastróficas como essa, não há serviços básicos como água, luz e telefonia. Então imagine que ai mesmo na sua casa não há água em nenhum dos canos. Quanto você tem de água armazenada em sua casa? Talvez uma ou duas garrafas na geladeira? Com certeza no desespero completo, se você tiver um aquário ou algum vaso com água, você vai tentar beber isso mesmo, mas com certeza isso é o seu pior e talvez último erro. Riscos de ter uma diarreia causada por bactérias a essa altura do campeonato seria a pior forma de se morrer. E se você não tiver vasos e nem aquários? É isso mesmo caro amigo, o único lugar que vai ter dois ou três copos d’água será aquele vaso de porcelana com acento que todo banheiro tem. E convenhamos, eu ainda prefiro plantar uma dessas duas balas do seu revolver, bem no meio da minha fábrica de ideias, do que fazer igual ao meu cachorro no ápice do desespero de quem está desidratado e com sede.
Mas afinal, quanto tempo uma pessoa pode sobreviver sem água? Isso vai depender ((BLAM – BLAMM)) Ok, dessa vez seu coração fez uma pequena pausa de medo, entre uma batida e outra. Maldito zumbi está batendo com as mãos e o corpo contra a janela de vidro agora. Dizem que sustos como esse fazem bem ao coração. “Bem mal”, só se for. O estranho é que mesmo você vendo o zumbi na janela, você teve a impressão de que ele ainda bate na porta de madeira.
Continuando o assunto anterior, o tempo que alguém consegue sobreviver sem água pode variar, dois, três dias no máximo. Mas pode acontecer em horas também, tudo vai de acordo com muitas situações, como por exemplo temperatura ambiente, quantidade de esforço sendo feito, condições físicas da pessoa, etc… Perdemos água quando respiramos, falamos, suamos, produzimos energia no corpo, urinamos, entre outras ações bem básicas. Os sintomas da desidratação são tontura, dores de cabeça, enjoo, vômitos (sim, imagine que você está perdendo liquido e então começa a colocar o pouco que já tem pra fora!). Em casos mais graves o corpo começa a apresentar dificuldade de se mover, pois a falta de água nos músculos e nas juntas dificulta esse processo, perda significativa na temperatura do corpo e o próximo passo é com certeza o seu último em direção ao descanso eterno até que o vírus te acorde.

O barulho dos antebraços daquele zumbi batendo na janela está se tornando algo insuportável e você resolve fechar a cortina para conseguir espaço na mente para pensar em um plano para sair inteiro dessa casa. Quando você se aproxima da janela para puxar a cortina que você percebe que o barulho na porta era outro zumbi já em estágio bastante acelerado de decomposição e a pouca visão pelo angulo interno da janela combinado à quantidade de mordidas sofridas por aquele “cadáver móvel”, te faz imaginar se um dia foi um homem ou uma mulher. Na real, não da nem pra imaginar que isso um dia foi humano. Antes de você pensar que dois zumbis agora seriam um desafio, mais à sua frente, atravessando a rua, três criaturas se aproximam para participar da gincana. Muito bem, agora você tem praticamente cinco motivos para entrar em desesp((CRASH))… Aquele zumbi que você atirou a poucos minutos atrás, acaba de atravessar a grade da janela com a cabeça e quebrar o vidro da janela. Pra passar a cabeça pela janela, boa parte das orelhas ficaram para trás. Da pra imaginar do que é capaz um ser que não se importa em perder parte das orelhas para te alcançar e você ainda tem mais quatro deles na fila, esperando o café da manhã.

Episódios anteriores

Tief

Parte 04
Agora que você criou coragem suficiente pra sair mais uma vez pra fora, você da de cara com um deles, que nesse momento já tem a atenção atraída pra você.
A criatura que antes estava estática, após sentir o seu cheiro, começou a caminhar cambaleando em sua direção, os três ou quatro primeiros passos foram lentos, mas logo ele pegou o ritmo e começou a caminhar como uma pessoa quase normal, alguém que sofreu um derrame e ainda está se recuperando e voltando a andar normalmente, nesse caso descendo da calçada e pronto para atravessar a rua e chegar até você. Com toda a certeza, a cena lhe causa um terror a ponto de em poucos segundos sua mente não processar a melhor ação à ser tomada, ficando naquele “vai-não-vai” e ao mesmo tempo considerando a necessidade de confrontar o inimigo.
A coisa foi capaz de sentir o seu cheiro do outro lado da rua ou foi o barulho dos seus passos? A esse altura é difícil saber o que ainda está ativo dos sentidos deles, se ele é capaz de ouvir ou distinguir sons, se é capaz de sentir cheiro ou até mesmo se eles enxergam, e se sim, até onde eles enxergam. Os olhos já não são os de uma pessoa viva e sadia. Olhar um deles caminhando em sua direção, nos olhos é com certeza uma das experiências mais perturbadoras. Os olhos já não têm a mesma coloração e dependendo de como foi “a morte” do indivíduo, eles podem estar bem danificados ou ausentes. Outro ponto é que os olhos já não têm o controle normal e não fixam em um ponto. A impressão é de que eles se movimentam como olhos de quem está em convulsão, olhando levemente para cima e movendo da esquerda para a direita bem devagar. Às vezes um dos olhos está fixo em uma direção e outro ainda faz pequenos movimentos. Daria pra dizer que não enxergam por completo, mas movimentos bruscos podem atrair sua atenção.
Além dos olhos, outra coisa perturbadora é o barulho que fazem e que só pode ser ouvido de perto, ou seja, quando você ouvir, há uma grande chance de você não sobreviver. Não é um gemido, nem barulho vindo das cordas vocais. Aparentemente os zumbis não são capazes de vocalizar nem mesmo um grunhido. São talvez pequenos espasmos no diafragma, na tentativa de respirar, coisa que não é mais necessária, mas no entanto o cerebelo ainda insiste em manter ativa por ser uma das funções básicas controladas por ele. E essa tentativa descompassada como um espasmo, tende a fazer um ruído parecido com o mesmo ruído de quando se toma refrigerante de canudinho e o líquido está chegando no final do copo. Outras vezes parece com pequenos roncos produzidos por quem sofre de apneia grave.
Então quando você percebeu, já estava apontando a arma em direção ao seu inimigo. Só que com uma coisa você não contava. Atirar pode não ser algo tão simples assim. O ato de mirar e atirar envolve muito mais músculos do que se pode imaginar. E ainda temos o fator psicológico que estará estraçalhado diante de uma ameaça extremamente aterrorizante de alguém que está de volta dos mortos, prestes a te levar com ele.
Então é o momento onde seu corpo se enche com adrenalina, disparando os batimentos cardíacos de maneira que por frações de segundo você pode sentir a arma em sua mão ser jogada da esquerda para a direita em poucos milimetros, seguindo o ritmo das batidas, como se tivesse vida própria e estivesse lhe dizendo o quão estúpida foi a ideia de ficar e atirar.
Se não bastasse a dificuldade de manter a arma apontada em uma direção, logo que você começa a encolher os músculos do dedo indicador, iniciando uma pequena pressão sobre o gatilho, percebe que toda a sua infância com armas de brinquedo não lhe prepararam pro que estava para vir e que você vai precisar de muito mais força do que imagina para ir em frente.
Outro ponto focal é que atirar em um alvo é difícil, atirar em um alvo em movimento, mais difícil ainda, mas agora, atirar em um alvo com movimentos completamente inesperados e descompassados pode ser a coisa mais difícil de fazer.
Então você aplica mais força no dedo e finalmente o gatilho começa a movimentar-se com o peso de uma porta de um cofre de banco. Instintivamente você começa a contrair os músculos da face e parte do ombro, meio que encolhendo o corpo em alerta pelo possível barulho da explosão da pólvora. É a mesma expressão de quem esta com um rojão aceso nas mãos, prestes a estourar. Isso é bem comum para quem vai atirar pela primeira vez, tanto porque você não tem a menor ideia de como é o verdadeiro barulho que uma arma faz. Mais um pouco de pressão e o martelo já começa a levantar e uma pequena alavanca já move a catraca do tambor do revolver para a próxima bala a ser disparada. O coração já está completamente acelerado, o tempo parece agora passar em “bullet time” como nos filmes de ação, mas na verdade é apenas a sua atenção que está redobrada e focada em apenas um ponto, a cabeça do seu inimigo.
Todo esse tempo foi suficiente para deixar o cadáver chegar a quatro passos de você. Distancia suficiente para completar com poucos miligramas de certeza em forma de neurotransmissores, bombardeando o seu cérebro e fazendo com que seu dedo aplique a ultima pressão necessária para que o gatilho chegue ao final de seu curso e o movimento de apenas duas engrenagens mecânicas faça com que o martelo do revólver agora tome o curso contrário, impulsionado pela mola e com o máximo de força possível, esmagando a agulha do cilindro contra a cápsula de espoleta na base da bala. É ai que se inicia a mágica criada por Samuel Colt. Ao contrário do que você talvez espere, não há uma explosão, a pressão aplicada na espoleta causa uma pequena reação de estalo, parecido com os pequenos “traques” ou “biribinhas”, aquelas bombinhas inofensivas de crianças que estouram ao bater no chão, causando apenas uma pequena faísca. Essa faísca é responsável por incendiar uma quantidade inferior a 4 gramas de pólvora, no caso do seu revolver. Essa pólvora não explode, e sim gera uma combustão constante, criando um gás em alta temperatura. A cápsula que contém a pólvora está completamente lacrada e pressionada pelo projétil, que ao iniciar o processo de combustão, incha e acaba expelindo o projétil junto com o gás, impulsionando a ponta de chumbo através do cano do revolver. O projétil expelido teria uma grande diminuição de força e velocidade, causada pela massa de ar em seu trajeto, se não fosse pelas ranhuras internas do cano do revolver, em forma de espiral, que faz a bala girar, ganhando potencia e aerodinâmica, num balé satânico e ao mesmo tempo belo e perfeito, de causar inveja em qualquer membro de Bolshoi ou Kirov.
O barulho não foi tão alto quanto você imaginava e daria até mesmo para confundir com uma daquelas bombinhas das mais fraquinhas, que mais parecem um cigarro. Na verdade, pareceu mais como se alguém batesse com um chinelo contra uma superfície lisa, com toda a sua força, causando um enorme estalo e não um estouro. O que você não esperava é que a arma pudesse dar um pequeno soco em sua mão, que como você não segurava a arma com toda a firmeza que deveria, com apenas uma mão, acabou machucando um pouco a fina pele da junção entre o dedo polegar e o indicador.
O alvo foi atingido? O maior problema do primeiro tiro é que a maioria fecha os olhos, e não foi diferente com você. A ultima cena que você viu foi a cabeça do andarilho sendo jogada para trás com o impacto do disparo. Mas nada mais que uma paulada de um taco maciço de madeira não faria. E então você descobre às duras penas que dois fatores contribuíram para que o corpo não caísse no chão. Primeiro porque o “Stopping Power” de uma arma como essa é de menos de 60%, ou seja, se você atirasse no peito de um individuo normal, vindo em sua direção, você teria 40% de chance dele continuar vindo pra cima de você, e estamos falando de uma pessoa normal, viva e sadia. Outro ponto, e o principal deles é que o que mantém o zumbi em pé e se movendo (não vou usar a palavra vivo) é aquela pequena porção do cérebro, chamado cerebelo. Essa porção do cérebro, localizada abaixo e no centro da massa encefálica, fica mais ou menos na altura do nariz e não na testa ou entre os olhos. Menor que uma bola de tênis, atingir o cerebelo pela frente do crânio não é uma tarefa simples, ainda mais em um alvo em movimentos desconexos.

 Seria muito mais fácil atingi-lo pela nuca do que pela frente e o disparo atingiu a sobrancelha esquerda do cadáver, esmagando e tirando da órbita o seu olho acinzentado, atravessando o crânio e pela distancia e impacto empregado, saindo pela parte traseira da cabeça.
Em uma pessoa normal, o estrago seria suficiente para derrubar o agressor, mas nesse caso, a massa cinzenta que foi atingida e arremessada pra fora do crânio pela saída da bala, de fato não fará a menor falta para o andarilho que volta a se movimentar em sua direção. Agora você tem um zumbi a quatro passos de você, duas balas no revolver e alguns passos para voltar pra dentro da casa.
Tief

Parte 03

Faltam algumas horas pra amanhecer mas você já estava acordado. Melhor dizer, ainda estava acordado. E quem conseguiria dormir com essa tensão que tem sido a ultima semana? É impressionante como tudo muda em questão de horas e a civilização volta à idade média em pouco tempo. Ninguém sabe onde e nem como começou. Tinha alguma coisa errada na Coreia, ou seria na China? De fato você não teve tempo de prestar atenção. Era algum tipo de epidemia, algo relacionado ao ebola e logo em seguida, os EUA estavam mandando tropas para conter as rebeliões. Mais uma notícia quase tida por normal nos dias de hoje, ainda mais depois de tanta rebelião em vários países.
Aqui a coisa foi rápida de mais. Começou nos hospitais, não teve mais do que duas reportagens dizendo que algumas pessoas suspeitas de terem trazido o vírus estariam internadas e que algum tipo de rebelião começou com os internos sem nenhum motivo aparente. Foi a ultima noticia que você viu antes de ir trabalhar. No trabalho, as pessoas começaram a falar da policia estar por toda a parte e que o exército teria sido visto passando em avenidas grandes com muita pressa. Logo você imaginou ser alguma coisa relacionada ao PCC ou o Comando Vermelho.
Ao contrário do que se imagina, a maior causa das mortes no começo da bagunça toda foram os tumultos e as pessoas em pânico. Todo mundo já viu um filme de zumbis ou algo do gênero, ver uma pessoa com aparência de morta, cambaleando na rua e atacando alguém, seria mais do que suficiente para causar um estrago. A primeira reação das pessoas foi correr pra suas casas de uma vez só. A cidade não comporta mais os carros e onibus que circulam todos os dias em horarios diferentes, imagina a cidade inteira tentando seguir o mesmo fluxo. Foi como uma grande veia entupida no coração da capital e o infarto foi a correria por entre os carros parados, pessoas sendo pisoteadas e não demorou pra começarem as brigas e quebra-quebra. Tinhamos menos de 20 mortos-vivos nas proximidades de um hospital próximo ao centro e centenas de pessoas feridas e em total pânico por toda a cidade. Talvez tenha sido esse motivo que deu vantagem aos seres tão lentos como os zumbis, quem em algumas horas, aumentaram o número de 20 para 50, 60 e cada vez mais.

Como você não tinha ideia do que estava acontecendo, decidiu esperar mais um pouco no trabalho antes de sair desesperado. Alguns colegas já tinham abandonado o prédio e nas ruas do centro pessoas corriam e carros de policia passavam em alta velocidade até que um bateu em uma barra de proteção na calçadae tombou sobre umas 15 pessoas que estavam aglomeradas no ponto de onibus. Uma cena dramática e indiscritível. Então você se sentou na sua cadeira e ficou em estado de choque sem saber se deveria sair ou esperar.

Passado algumas horas, você ouve uma ambulância chegar no local para socorrer as vítimas do acidente, mas uma cena lhe chamou a atenção. Uma das vítimas estava bastante agitada e se debatia enquanto o paramédico tentava prestar atendimento. Não dava pra ver muito bem da sua janela no primeiro andar, mas parecia que a vítima tinha agarrado o braço do paramédico, agora também agitado e que de alguma forma, mesmo com a impressão de estar um um dos braços severamente amputado pelo acidente, a vítima tinha grudado no pescoço dele e antes que ele conseguisse se soltar, outra vítima do acidente agarrava em sua perna. O outro paramédico veio então pra ajudar e começou a chutar um dos agressores. Tamanha era a violência dos chutes, que você tremia a cada pancada, se sentindo mal demais pra continuar vendo a cena, mas ao mesmo tempo paralisado pela violência gratuita. Quando você voltou a olhar, o segundo paramédico que chutava uma das vítimas estava no chão sendo atacado por outras quatro pessoas e aí, nesse momento você se lembrou do que viu nos cinemas e o esclarecimento foi como uma tijolada arremessada da janela de um carro em movimento, bem no meio da cara da sua vida tranquila e patética.

Agora aqui está você, faminto, cansado, sujo e ainda em estado de choque. Na sua mão, a Taurus 80 que você achou ontem e que passou a noite inteira em suas mãos, indo da direita pra esquerda conforme aumentava o suor da mão e o cabo ainda um pouco sujo, ficava mais quente e pesado. E de vez em quando, ali sozinho com a arma na mão, algumas vezes a ideia de acabar com tudo de uma forma rápida passou pela sua cabeça em um flash de segundo. Tantas dúvidas e tantos temores, tristeza e solidão. Solidão e medo é como uma mistura fina de glicerina e ácido nítrico, basta um pouquinho de pressão e vai tudo pelos ares. O problema todo foi a velocidade como os principais meios de comunicação pararam. No segundo dia da confusão já não havia mais rádio, tv, etc… Sinal de celular e internet então, nem pensar. Não da pra você saber se o problema é só aqui na sua cidade ou se já se espalhou em outros lugares. E é ai que você pensa em seus familiares. Não fala com eles desde o primeiro dia lá no trabalho e a dúvida se estão bem é massacrante. Atravessar a cidade pra chegar no bairro em que você morava agora parece com tentar viajar pra outra cidade à pé. E a tristeza e a saudade, o medo mais a solidão te fazem pensar. O medo e a solidão te fazem pensar no cara lá no outro quarto que estava com a arma. Como deve ter sido pro cara tirar a própria vida? Foi rápido ou dolorido? Será mesmo verdade que a ultima coisa que você ouve é o clique do gatilho antes da explosão da espoleta? Como deve ser 10 gramas de chumbo incandecente atravessando o céu da boca e bilhões de terminações nervosas a mais de 190m/s, deixando na parede a sua ultima obra de arte. O artista plástico que usa sangue e fragmento de ossos pra desenhar a marca da covardia. Não. Você chegou até aqui e não vai acabar assim.

Então a melhor coisa a se fazer é sair e enfrentar o desafio de procurar comida e um novo abrigo e tentar chegar na sua antiga casa. É muito provável que se sua familia sobreviveu ou foi para algum lugar, alguém pode ter deixado algum bilhete ou nota para que você pudesse encontrá-los. Pode não ser uma boa ideia, mas foi a única que apareceu. Então você resolve sair da casa agora que os primeiros raios de sol já surgiram.

É engraçado como um dia tão ferrado pra você pode ser tão bonito. O tempo estava perfeito e parecia uma daquelas manhãs de domingo, sem nuvem e o sol batendo levemente nas primeiras horas do dia. Seria um daqueles dias onde você sentiria o cheiro do orvalho evaporando sobre as folhas, aquele cheiro gostoso da manhã. Mas não, o unico cheiro que você sente aqui é o cheiro de sangue seco e carne azeda. O cheiro de comida guardada em saco plástico por dias em sua geladeira desligada. O cheiro dos mortos.
E por falar nos mortos, onde estariam os “não-mortos”? Quantos deles teriam ali fora? Pela fresta da porta você mal pode ver se há algum deles na rua. Mas ao sair lentamente, você percebe que um deles está parado em pé a poucos metros da porta. É engraçado como nos filmes tudo é muito diferente. Não há aquela “gemedeira” característica dos zumbis. Não há barulhos, gemidos e muito menos palavras como “miolos” ou “brains” como no filme de comédia trash “A volta dos mortos vivos”. Pelo pouco que se sabe, os que voltaram da morte não emitem nenhum som vocal, não se comunicam entre si e não conseguem desempenhar tarefas simples como segurar qualquer coisa que seja para usar como arma. Ao que parece, a causa da infecção é por vírus, um tipo de vírus que ataca uma pequena porção do cérebro, o cerebelo, responsável pelos impulsos mais básicos do individuo, como o equilibrio e outras funções motoras. O cerebelo é considerada na evolução das espécies como a porção mais antiga, sendo herdada dos répteis e é atribuída à ela os instintos como por exemplo a fome. Aparentemente o vírus age de forma parasita, tomando e mutando essa parte do cerebro, criando uma especie de autonomia e sendo responsável por gerar a energia necessária para manter a parte infectada ativa enquanto todo o resto do corpo funciona apenas por impulsos comandados pelo novo cerebelo. Com isso, o infectado passa a não ter a necessidade de respirar ou até mesmo se alimentar, coisa que aparentemente faz apenas por instinto, ainda ativo no cerebelo.
Se apenas uma porção do cerebro está ativa, e o resto do corpo só responde a pequenos impulsos, por que o zumbi não se decompõe ou endurece e para de se movimentar por rigor mortis? O vírus só irá infectar um indivíduo que estiver vivo e poderá permanecer dormente durante dias até que o hospedeiro venha a falecer da febre causada pela infecção. Mas na realidade, as funções mais básicas não se desligam e algumas células ainda mantém energia suficiente até que passe a receber energia produzida pelo vírus. Dessa forma o infectado tecnicamente não morre por completo, não chegando a iniciar os processos de decomposição, no entanto, orgãos que param de funcionar começam a decompor como acontece em casos de gangrena, liberando gás metano e sulfeto de hidrogênio, o que causa o cheiro insuportável. Como o virus só irá infectar um hospede ainda vivo, você não verá nenhum morto saindo da cova como nos filmes clássicos de terror.
Esse tipo de “parasita” não é nenhuma ficção inventada para justificar filmes trash. Existem muitos casos parecidos na natureza em que infectados são controlados e agem como zumbis. É o caso de uma variação da toxoplasmose, uma doença comum em gatos, mas que atinge 1/4 da população que sequer sabe disso. A bacteria responsável pela doença só consegue sobreviver no intestino dos gatos e para chegar lá, ela infecta camundongos e os faz de zumbis escravos, mudando seu comportamente e fazendo com que eles corram em direção as gatos de forma suicida. Outra situação parecida é de um fungo capaz de transformar formigas em zumbis, fazendo com que elas vaguem sem sentido, procurando um local propicio para a proliferação do fungo, sem antes ter andado por toda a colonia infectando outras formigas. Quando ela chega no local propicio, prende a mandibula em uma planta e lá morre para virar comida do fungo. Outro caso parecido é de um parasita que vive no intestino de alguns pássaros e para chegar lá, ele infecta caramujos e cria mutações em suas “antenas”, fazendo com que elas fiquem com aparencia saborosa e irresistível aos pássaros, em seguida o caramujo zumbi sobe na planta mais alta e ali fica horas esperando ser devorado pelos passaros famintos e continuar o ciclo de vida do parasita. Nã demoraria muito para que alguma variação pudesse infectar o unico ser que não tem predadores naturais e é encontrado em qualquer canto do planeta. A raça humana.

Então você resolve sair de vez e enfrentar esse desafio. Do lado de fora a unica coisa que você vê é um deles, em pé e imóvel, totalmente estático e silencioso. Enquanto não estão atrás de alguém, eles ficam imóveis, quase que dormentes, talves aguardando uma vítima aparecer. Você olha em volta e não ve mais nenhum. Então começa a andar devagar, ainda sem um plano, a não ser voltar ao seu antigo bairro. Quando você pensava que iria passar despercebido pelo zumbi, o seu cheiro o denunciou e logo ele começou a andar desajeitado em sua direção. A impressão que se tem quando você vê um deles andando é de que logo irá tropeçar e cair, mas não se iluda e é assim que eles fazem suas vítimas. Então você pretende testar sua nova arma e aponta em direção da cabeça do zumbi e aperta o gatilho… (Continua no próximo capitulo)

Tief

Parte 01

Parte 02

Parte 02

Finalmente você conseguiu passar uma noite debaixo de um teto de verdade. Digo passar a noite, porque dormir de fato é algo que você já se esqueceu como é, depois de um pouco mais de uma semana se esgueirando de beco em beco, carros abandonados e terrenos baldios. A casa estava vazia, quer dizer, sem contar um cara morto no quarto e por isso você preferiu dormir trancado no banheiro. O cara estava realmente morto, apesar que depois que essa loucura começou a uns 10 dias atras, a palavra morto teve que ser riscada dos dicionários ou adicionado um hífen “vivo” nela. A certeza de que ele estava morto é porque o cara se matou com um tiro de 38 na cabeça. O corpo estava imóvel e parecia “colado” na parede, talvez pela ação do tempo, muito diferente dos que andam, apesar do mesmo cheiro, só que nesse mais forte.
Normalmente você diria: “Que sorte! A arma ficou na mão dele”. Mas o mais adequado aqui é dizer que a sorte foi a dele que não vai ter que se preocupar com tudo isso. Então a primeira ideia é pegar a arma da mão do “presunto” e virar “John Marston” do Red Dead Redemption. Só que aqui não é um jogo da Capcom e nem RockStar. A arma não fica simplesmente girando e brilhando no chão e muito menos vai aparecer uma opção “Pegar Revolver 38? >Sim/ Não”. Aqui é a realidade e você vai ter que por a mão em uma pessoa morta há três dias com uma cara fixa e olhos vazios e azulados pela decomposição, olhando diretamente pra você.

Uma coisa que nunca vai ter nos filmes é o cheiro. Você já viu milhares de filmes de terror ou de Zumbis, cheios de corpos e gente morta, mas nunca imaginou verdadeiramente como seria o tal cheiro de cadáver, a não ser pequenos animais mortos que são comuns em beira de estrada. Agora imagine o maior cachorro morto que você viu na vida e multiplique por 10 ou 12. Isso seria apenas um cadaver como esse no chão do quarto, com uma arma na mão e metade das ideias e lembranças espalhadas como uma obra de Picasso na parede. Mas agora imagine isso por toda a parte. Em qualquer lugar que você vá, você verá um ou dois desses espalhados pelo chão, carros, calçadas e pior andando! Talvez essa seja a pior parte na sobrevivencia à uma infestação de zumbis e até uma vantagem para eles, pois dificilmente você consegue ficar mais do que 5 minutos escondido no mesmo lugar com um corpo por perto. O cheiro gruda em você, literalmente falando e te segue mesmo aonde já não tenha mais cadaveres, ficando nas narinas. A melhor solução pra evitar ficar atordoado com isso é ter sempre um pouco de gasolina pra passar na gola da camisa. Cuidado! Gasolina pode ser pior que os andarilhos se você não se cuidar. Se você encharcar de mais a roupa, pode acabar queimando sua pele com o contato direto com a gasolina. Lembre-se que é só um pouco apenas para afastar o cheiro e não pra tomar banho com ela. Nem preciso dizer que se você fuma, já é mais que na hora de largar o vicio, ou você vai “se acender” como um cigarro anbulante. Nunca passe a gasolina diretamente na pele ou no rosto, ou debaixo das narinas, pois a gasolina irá queimar a sua pele.

Mas aqui e agora, você não tem gasolina e vai ter que chegar perto do corpo pra pegar a arma. Você coloca uma camiseta na boca pra tampar o cheiro, mas parece que o maldito “perfume de Thanatos” atravessa o tecido, dobrado em várias partes e desce garganta abaixo. Você segura a arma com força, os olhos lacrimejando, o coração disparado e a boca seca. Mas nada na vida real é tão fácil. O maldito rigor mortis está segurando a arma pelo cadáver e simplesmente puchar não é uma tarefa fácil. A arma esta bem presa pelos dedos. É ai que você larga tudo e corre pro banheiro respirar. A nausea agora é sua nova companheira. Mas vomitar não é uma opção, já que você não come nada desde ontem de manhã. Depois de algum tempo você volta, dessa vez decidido e já entregue à situação e bastante irritado. Pouco se importa em segurar a camiseta no rosto e vai com tudo com as duas mãos e finalmente arranca a arma das mãos do seu finado dono.
É uma Taurus 80, calibre 38 de 4 polegadas. Uma arma típica de vigia, o famoso “canela seca”. Você nunca pegou em uma arma na vida, mas afinal, qual é o segredo em apontar e apertar o gatilho? Não é das melhores armas, mas foi a única que você encontrou em todos esses dias. Não tinha nenhuma espingarda calibre 12 em carros de policia abandonados, nenhuma arma em gavetas de casas abandonadas, nenhum policial morto com uma bereta caida do lado, nem nenhum soldado com um rifle FAL dando sopa, muito menos nenhuma caixa de balas caiu quando você chutou alguma lixeira. O governo fez o seu dever de casa direitinho e desarmou a população e na vida real ter achado esse revolver “canela seca” com apenas 3 balas no tambor foi como ganhar na mega sena.

Tem sangue seco na arma e no cabo de borracha algo que parece pele, talvez da palma da mão do antigo dono, que se soltou com a força que você fez ao tentar removê-la. A principio vem a preocupação se essa “coisa” possa ser transmitida simplesmente por ter contato com as secreções dos infectados ou se o vírus (se é que realmente é um vírus) morreria junto com o hospedeiro. Mas não há tempo de pensar nisso, não há arrependimento em ter conseguido uma nova proteção e o melhor a fazer é passar um pano úmido no cabo, lavar bem as mãos com agua e sabão e procurar munição pela casa, já que o possível ex-morador tinha essa arma.
Mas e se você realmente encontrar algumas balas, vai saber diferenciar 38 pra .357? Mesmo que esteja escrito .357 na bala e ela for praticamente do mesmo tamanho você vai resistir a ideia de usar no seu 38? Dependendo do caso, a pressão de uma bala 38 é de 18.900 CUP, enquanto a de .357 é de 48.500 CUP. Para entender a diferença e calcular a pressão, o pneu de um carro é entre 28 e 30. Dessa forma, com uma arma em condições desconhecidas, ou até mesmo oxidadas como a do finado suicida, é arriscado o tambor do revolver explodir literalmente na sua cara. De qualquer forma, com a sua nova arma, você resolve sair atrás de comida, pois agora o seu maior inimigo mora dentro de você e se chama fome. (Continua…)

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