Manual de sobrevivência contra ataques zumbis: Parte 04

Publicado: 10 de setembro de 2011 por tiefz em Zombie Survival
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Parte 04
Agora que você criou coragem suficiente pra sair mais uma vez pra fora, você da de cara com um deles, que nesse momento já tem a atenção atraída pra você.
A criatura que antes estava estática, após sentir o seu cheiro, começou a caminhar cambaleando em sua direção, os três ou quatro primeiros passos foram lentos, mas logo ele pegou o ritmo e começou a caminhar como uma pessoa quase normal, alguém que sofreu um derrame e ainda está se recuperando e voltando a andar normalmente, nesse caso descendo da calçada e pronto para atravessar a rua e chegar até você. Com toda a certeza, a cena lhe causa um terror a ponto de em poucos segundos sua mente não processar a melhor ação à ser tomada, ficando naquele “vai-não-vai” e ao mesmo tempo considerando a necessidade de confrontar o inimigo.
A coisa foi capaz de sentir o seu cheiro do outro lado da rua ou foi o barulho dos seus passos? A esse altura é difícil saber o que ainda está ativo dos sentidos deles, se ele é capaz de ouvir ou distinguir sons, se é capaz de sentir cheiro ou até mesmo se eles enxergam, e se sim, até onde eles enxergam. Os olhos já não são os de uma pessoa viva e sadia. Olhar um deles caminhando em sua direção, nos olhos é com certeza uma das experiências mais perturbadoras. Os olhos já não têm a mesma coloração e dependendo de como foi “a morte” do indivíduo, eles podem estar bem danificados ou ausentes. Outro ponto é que os olhos já não têm o controle normal e não fixam em um ponto. A impressão é de que eles se movimentam como olhos de quem está em convulsão, olhando levemente para cima e movendo da esquerda para a direita bem devagar. Às vezes um dos olhos está fixo em uma direção e outro ainda faz pequenos movimentos. Daria pra dizer que não enxergam por completo, mas movimentos bruscos podem atrair sua atenção.
Além dos olhos, outra coisa perturbadora é o barulho que fazem e que só pode ser ouvido de perto, ou seja, quando você ouvir, há uma grande chance de você não sobreviver. Não é um gemido, nem barulho vindo das cordas vocais. Aparentemente os zumbis não são capazes de vocalizar nem mesmo um grunhido. São talvez pequenos espasmos no diafragma, na tentativa de respirar, coisa que não é mais necessária, mas no entanto o cerebelo ainda insiste em manter ativa por ser uma das funções básicas controladas por ele. E essa tentativa descompassada como um espasmo, tende a fazer um ruído parecido com o mesmo ruído de quando se toma refrigerante de canudinho e o líquido está chegando no final do copo. Outras vezes parece com pequenos roncos produzidos por quem sofre de apneia grave.
Então quando você percebeu, já estava apontando a arma em direção ao seu inimigo. Só que com uma coisa você não contava. Atirar pode não ser algo tão simples assim. O ato de mirar e atirar envolve muito mais músculos do que se pode imaginar. E ainda temos o fator psicológico que estará estraçalhado diante de uma ameaça extremamente aterrorizante de alguém que está de volta dos mortos, prestes a te levar com ele.
Então é o momento onde seu corpo se enche com adrenalina, disparando os batimentos cardíacos de maneira que por frações de segundo você pode sentir a arma em sua mão ser jogada da esquerda para a direita em poucos milimetros, seguindo o ritmo das batidas, como se tivesse vida própria e estivesse lhe dizendo o quão estúpida foi a ideia de ficar e atirar.
Se não bastasse a dificuldade de manter a arma apontada em uma direção, logo que você começa a encolher os músculos do dedo indicador, iniciando uma pequena pressão sobre o gatilho, percebe que toda a sua infância com armas de brinquedo não lhe prepararam pro que estava para vir e que você vai precisar de muito mais força do que imagina para ir em frente.
Outro ponto focal é que atirar em um alvo é difícil, atirar em um alvo em movimento, mais difícil ainda, mas agora, atirar em um alvo com movimentos completamente inesperados e descompassados pode ser a coisa mais difícil de fazer.
Então você aplica mais força no dedo e finalmente o gatilho começa a movimentar-se com o peso de uma porta de um cofre de banco. Instintivamente você começa a contrair os músculos da face e parte do ombro, meio que encolhendo o corpo em alerta pelo possível barulho da explosão da pólvora. É a mesma expressão de quem esta com um rojão aceso nas mãos, prestes a estourar. Isso é bem comum para quem vai atirar pela primeira vez, tanto porque você não tem a menor ideia de como é o verdadeiro barulho que uma arma faz. Mais um pouco de pressão e o martelo já começa a levantar e uma pequena alavanca já move a catraca do tambor do revolver para a próxima bala a ser disparada. O coração já está completamente acelerado, o tempo parece agora passar em “bullet time” como nos filmes de ação, mas na verdade é apenas a sua atenção que está redobrada e focada em apenas um ponto, a cabeça do seu inimigo.
Todo esse tempo foi suficiente para deixar o cadáver chegar a quatro passos de você. Distancia suficiente para completar com poucos miligramas de certeza em forma de neurotransmissores, bombardeando o seu cérebro e fazendo com que seu dedo aplique a ultima pressão necessária para que o gatilho chegue ao final de seu curso e o movimento de apenas duas engrenagens mecânicas faça com que o martelo do revólver agora tome o curso contrário, impulsionado pela mola e com o máximo de força possível, esmagando a agulha do cilindro contra a cápsula de espoleta na base da bala. É ai que se inicia a mágica criada por Samuel Colt. Ao contrário do que você talvez espere, não há uma explosão, a pressão aplicada na espoleta causa uma pequena reação de estalo, parecido com os pequenos “traques” ou “biribinhas”, aquelas bombinhas inofensivas de crianças que estouram ao bater no chão, causando apenas uma pequena faísca. Essa faísca é responsável por incendiar uma quantidade inferior a 4 gramas de pólvora, no caso do seu revolver. Essa pólvora não explode, e sim gera uma combustão constante, criando um gás em alta temperatura. A cápsula que contém a pólvora está completamente lacrada e pressionada pelo projétil, que ao iniciar o processo de combustão, incha e acaba expelindo o projétil junto com o gás, impulsionando a ponta de chumbo através do cano do revolver. O projétil expelido teria uma grande diminuição de força e velocidade, causada pela massa de ar em seu trajeto, se não fosse pelas ranhuras internas do cano do revolver, em forma de espiral, que faz a bala girar, ganhando potencia e aerodinâmica, num balé satânico e ao mesmo tempo belo e perfeito, de causar inveja em qualquer membro de Bolshoi ou Kirov.
O barulho não foi tão alto quanto você imaginava e daria até mesmo para confundir com uma daquelas bombinhas das mais fraquinhas, que mais parecem um cigarro. Na verdade, pareceu mais como se alguém batesse com um chinelo contra uma superfície lisa, com toda a sua força, causando um enorme estalo e não um estouro. O que você não esperava é que a arma pudesse dar um pequeno soco em sua mão, que como você não segurava a arma com toda a firmeza que deveria, com apenas uma mão, acabou machucando um pouco a fina pele da junção entre o dedo polegar e o indicador.
O alvo foi atingido? O maior problema do primeiro tiro é que a maioria fecha os olhos, e não foi diferente com você. A ultima cena que você viu foi a cabeça do andarilho sendo jogada para trás com o impacto do disparo. Mas nada mais que uma paulada de um taco maciço de madeira não faria. E então você descobre às duras penas que dois fatores contribuíram para que o corpo não caísse no chão. Primeiro porque o “Stopping Power” de uma arma como essa é de menos de 60%, ou seja, se você atirasse no peito de um individuo normal, vindo em sua direção, você teria 40% de chance dele continuar vindo pra cima de você, e estamos falando de uma pessoa normal, viva e sadia. Outro ponto, e o principal deles é que o que mantém o zumbi em pé e se movendo (não vou usar a palavra vivo) é aquela pequena porção do cérebro, chamado cerebelo. Essa porção do cérebro, localizada abaixo e no centro da massa encefálica, fica mais ou menos na altura do nariz e não na testa ou entre os olhos. Menor que uma bola de tênis, atingir o cerebelo pela frente do crânio não é uma tarefa simples, ainda mais em um alvo em movimentos desconexos.

 Seria muito mais fácil atingi-lo pela nuca do que pela frente e o disparo atingiu a sobrancelha esquerda do cadáver, esmagando e tirando da órbita o seu olho acinzentado, atravessando o crânio e pela distancia e impacto empregado, saindo pela parte traseira da cabeça.
Em uma pessoa normal, o estrago seria suficiente para derrubar o agressor, mas nesse caso, a massa cinzenta que foi atingida e arremessada pra fora do crânio pela saída da bala, de fato não fará a menor falta para o andarilho que volta a se movimentar em sua direção. Agora você tem um zumbi a quatro passos de você, duas balas no revolver e alguns passos para voltar pra dentro da casa.
Tief
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comentários
  1. João Gabriel Fleck Barros disse:

    Muito boa essa explicação, o que poem de pé a opção de usar quase que exclusivamente armas brancas contra Zumbis.

    Usar pedaços de madeira seria difícil, pois a força do impácto é muito absorvida pela própria madeira, já um martelo de ferro puro (alumínio é bem mais leve) que acerta-se peto da orelha faria um bom estrago.

    Para se proteger das mordidas durante o ataque eu acho que algum pedaço de madeira, talvez até um cacetete serviria de escudo pra desviar os braços do morto vivo.

  2. Pedro disse:

    sua escrita é boa.. mas tem muitos detalhes desnecessários…

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