Arquivo de julho, 2011

Algo vem incomodando os donos de PS3 e XBox360 que compram jogos usados. Uma espécie de Online Pass para poder jogar seus jogos online. O primeiro game que eu comprei com essa função foi o novo Mortal Kombat pra PS3 que veio com um voucher para baixar um onlinepass e poder jogar o game online.

Me lembro da época que tinha videogames de cartucho e rodava a Santa Ifigênia atrás de games usados, com o valor muito abaixo do preço do game novo na loja. fiz isso com o NES, Super NES, Nintendo 64 (Zelda Ocarina of Time eu só consegui por as mãos em um cartucho usado) e ultimamente tenho comprado bastante jogo usado de PS3, aproveitando que as condições dos jogos são sempre em ótimo estado e a mídia Blueray dificilmente apresenta qualquer tipo de risco.

Não é de hoje que jogos e softwares usados não são bem vistos pelas Softhouses. Se você já leu algum contrato ou licença de uso (coisa que eu duvido muito), na realidade você não “compra” o jogo ou software, você paga pela licença de utilização do produto, ou seja, você paga “pedágio” para jogar o jogo que alguém inventou e de acordo com a EULA, é proibido fazer cópias (claro), alugar, vender ou até mesmo emprestar! Concordo com isso até o ponto em vender uma cópia usada, na teoria, se eu não gostei do jogo, devo jogar no lixo e tomar muito cuidado para que alguém não revire minha lixeira e acabe encontrando um jogo chato e descartado e corra o risco de instalar em casa, jogar e se arrepender em ter se sujeitado a revirar o meu lixo. Acho que vender um jogo usado, de certa forma ajuda a promover a franquia e também a facilitar a vida de quem esta com pouca grana pra comprar o jogo na loja. Outra situação é quando o jogo não está mais disponível para compra em lugar nenhum, como jogos clássicos que já saíram da prateleira a algum tempo.

Minha Lista de Games

Eu sou 100% a favor da compra de games originais e até o meu PSP, famoso por ser o console mais pirateado da história, é original de fábrica e está atualizado na ultima versão disponível pela Sony. Todos os meus videogames usam jogos originais, mas nem todos os jogos foram comprados em lojas. Alguns eu consegui comprando usado e mesmo assim com preço não muito longe do que eu pagaria em uma cópia nova. A realidade do Brasil ainda está longe de poder viver de copias novas. O preço médio do jogo no mercado nacional, e eu não estou falando do mercado de importação sem nota, é de R$150,00, podendo variar entre R$99,00 os jogos um pouco mais antigos e R$200,00 pelos lançamentos. Fica complicado manter uma boa biblioteca de games com valores nessa faixa, ainda mais porque o maior problema do Brasil, além dos impostos abusivos, é que os jogos demoram muito para sair da faixa de preço de lançamento para o preço médio que deveria valer o jogo. Por exemplo: Um game lançamento nos EUA sai em média US$60,00 e depois algumas semanas, o game já está saindo por algo em torno de US$30,00, como é o caso do Killzone3, que aqui no Brasil, lançado quase simultaneamente ainda está com o valor de lançamento.

Outro ponto que poderia facilitar nas vendas de games novos é que quando alguém vende um jogo usado, provavelmente ele irá interar o valor da compra de outro jogo novo, mantendo o mercado ativo, mesmo que em menor volume caso ninguém tivesse comprado jogo usado dele. O que talvez não movimente nenhum valor para o mercado é a troca de games, mas essa prática é ainda menor, tendo em vista que os dois jogos já foram pagos por alguém e sempre haverá a necessidade de jogar os lançamentos e para isso alguém vai ter que comprar. Particularmente eu não gosto de trocas, tenho uma coleção em crescimento e mesmo que o jogo não tenha agradado muito, eu não me desfaço dele.

Para evitar esse mercado paralelo, algumas empresas, inclusive a própria Sony, estão adotando pequenas medidas como a inclusão de um Online Pass em seus jogos. A sony confirmou que os jogos que vierem a partir do lançamento de Resistance3 terão uma chave única chamada de PSN Pass, restringindo a opção de jogar online apenas a uma conta de PSN. Jogos como Mortal Kombat já tem a sua própria chave para se jogar online e é necessário pagar US$10,00 para comprar uma nova licença, caso você compre o jogo de segunda mão. Muitas outras táticas estão começando a surgir, como por exemplo o game Resident Evil The Mercenaries 3D  vem com uma função de deixar os gamers mais antigos um pouco irritados, uma vez iniciado o jogo, não é possível apagar os saves. Isso mesmo que você leu, não há como apagar o progresso do jogo e se você comprar esse game de alguém e não puder bater o record do antigo dono, vei ter que conviver com a ideia de que você é um Looser e merce voltar a jogar tetris no Brickgame. Brincadeiras a parte, a Capcom deu a seguinte justificativa:

O progresso das missões dentro do game são salvas de forma automática no cartucho, o que explicaria a impossibilidade de se apagar os dados. Como um dos principais objetivos do game é terminar as mesmas missões várias vezes para conseguir aumentar a pontuação em cada uma delas, a Capcom não acha que esse detalhe vai prejudicar o jogador”.

Ainda pretendo comprar jogos usados e como não disponho de uma conexão digna à internet, jogar online não tem sido uma opção para mim, logo essas restrições a principio não irã me incomodar. O problema vai ser quando começarem a  restringir o uso “Offline” do game, como a Ubisoft faz no polêmico Assassin’s Creed 2 que só pode ser jogado estando online.

Tief

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Parte 02

Finalmente você conseguiu passar uma noite debaixo de um teto de verdade. Digo passar a noite, porque dormir de fato é algo que você já se esqueceu como é, depois de um pouco mais de uma semana se esgueirando de beco em beco, carros abandonados e terrenos baldios. A casa estava vazia, quer dizer, sem contar um cara morto no quarto e por isso você preferiu dormir trancado no banheiro. O cara estava realmente morto, apesar que depois que essa loucura começou a uns 10 dias atras, a palavra morto teve que ser riscada dos dicionários ou adicionado um hífen “vivo” nela. A certeza de que ele estava morto é porque o cara se matou com um tiro de 38 na cabeça. O corpo estava imóvel e parecia “colado” na parede, talvez pela ação do tempo, muito diferente dos que andam, apesar do mesmo cheiro, só que nesse mais forte.
Normalmente você diria: “Que sorte! A arma ficou na mão dele”. Mas o mais adequado aqui é dizer que a sorte foi a dele que não vai ter que se preocupar com tudo isso. Então a primeira ideia é pegar a arma da mão do “presunto” e virar “John Marston” do Red Dead Redemption. Só que aqui não é um jogo da Capcom e nem RockStar. A arma não fica simplesmente girando e brilhando no chão e muito menos vai aparecer uma opção “Pegar Revolver 38? >Sim/ Não”. Aqui é a realidade e você vai ter que por a mão em uma pessoa morta há três dias com uma cara fixa e olhos vazios e azulados pela decomposição, olhando diretamente pra você.

Uma coisa que nunca vai ter nos filmes é o cheiro. Você já viu milhares de filmes de terror ou de Zumbis, cheios de corpos e gente morta, mas nunca imaginou verdadeiramente como seria o tal cheiro de cadáver, a não ser pequenos animais mortos que são comuns em beira de estrada. Agora imagine o maior cachorro morto que você viu na vida e multiplique por 10 ou 12. Isso seria apenas um cadaver como esse no chão do quarto, com uma arma na mão e metade das ideias e lembranças espalhadas como uma obra de Picasso na parede. Mas agora imagine isso por toda a parte. Em qualquer lugar que você vá, você verá um ou dois desses espalhados pelo chão, carros, calçadas e pior andando! Talvez essa seja a pior parte na sobrevivencia à uma infestação de zumbis e até uma vantagem para eles, pois dificilmente você consegue ficar mais do que 5 minutos escondido no mesmo lugar com um corpo por perto. O cheiro gruda em você, literalmente falando e te segue mesmo aonde já não tenha mais cadaveres, ficando nas narinas. A melhor solução pra evitar ficar atordoado com isso é ter sempre um pouco de gasolina pra passar na gola da camisa. Cuidado! Gasolina pode ser pior que os andarilhos se você não se cuidar. Se você encharcar de mais a roupa, pode acabar queimando sua pele com o contato direto com a gasolina. Lembre-se que é só um pouco apenas para afastar o cheiro e não pra tomar banho com ela. Nem preciso dizer que se você fuma, já é mais que na hora de largar o vicio, ou você vai “se acender” como um cigarro anbulante. Nunca passe a gasolina diretamente na pele ou no rosto, ou debaixo das narinas, pois a gasolina irá queimar a sua pele.

Mas aqui e agora, você não tem gasolina e vai ter que chegar perto do corpo pra pegar a arma. Você coloca uma camiseta na boca pra tampar o cheiro, mas parece que o maldito “perfume de Thanatos” atravessa o tecido, dobrado em várias partes e desce garganta abaixo. Você segura a arma com força, os olhos lacrimejando, o coração disparado e a boca seca. Mas nada na vida real é tão fácil. O maldito rigor mortis está segurando a arma pelo cadáver e simplesmente puchar não é uma tarefa fácil. A arma esta bem presa pelos dedos. É ai que você larga tudo e corre pro banheiro respirar. A nausea agora é sua nova companheira. Mas vomitar não é uma opção, já que você não come nada desde ontem de manhã. Depois de algum tempo você volta, dessa vez decidido e já entregue à situação e bastante irritado. Pouco se importa em segurar a camiseta no rosto e vai com tudo com as duas mãos e finalmente arranca a arma das mãos do seu finado dono.
É uma Taurus 80, calibre 38 de 4 polegadas. Uma arma típica de vigia, o famoso “canela seca”. Você nunca pegou em uma arma na vida, mas afinal, qual é o segredo em apontar e apertar o gatilho? Não é das melhores armas, mas foi a única que você encontrou em todos esses dias. Não tinha nenhuma espingarda calibre 12 em carros de policia abandonados, nenhuma arma em gavetas de casas abandonadas, nenhum policial morto com uma bereta caida do lado, nem nenhum soldado com um rifle FAL dando sopa, muito menos nenhuma caixa de balas caiu quando você chutou alguma lixeira. O governo fez o seu dever de casa direitinho e desarmou a população e na vida real ter achado esse revolver “canela seca” com apenas 3 balas no tambor foi como ganhar na mega sena.

Tem sangue seco na arma e no cabo de borracha algo que parece pele, talvez da palma da mão do antigo dono, que se soltou com a força que você fez ao tentar removê-la. A principio vem a preocupação se essa “coisa” possa ser transmitida simplesmente por ter contato com as secreções dos infectados ou se o vírus (se é que realmente é um vírus) morreria junto com o hospedeiro. Mas não há tempo de pensar nisso, não há arrependimento em ter conseguido uma nova proteção e o melhor a fazer é passar um pano úmido no cabo, lavar bem as mãos com agua e sabão e procurar munição pela casa, já que o possível ex-morador tinha essa arma.
Mas e se você realmente encontrar algumas balas, vai saber diferenciar 38 pra .357? Mesmo que esteja escrito .357 na bala e ela for praticamente do mesmo tamanho você vai resistir a ideia de usar no seu 38? Dependendo do caso, a pressão de uma bala 38 é de 18.900 CUP, enquanto a de .357 é de 48.500 CUP. Para entender a diferença e calcular a pressão, o pneu de um carro é entre 28 e 30. Dessa forma, com uma arma em condições desconhecidas, ou até mesmo oxidadas como a do finado suicida, é arriscado o tambor do revolver explodir literalmente na sua cara. De qualquer forma, com a sua nova arma, você resolve sair atrás de comida, pois agora o seu maior inimigo mora dentro de você e se chama fome. (Continua…)

Parte 01

Tief

Ano de 2010. Playstation 3 dominando o mercado com seus jogos com suporte para as novas TVs 3D e o Xbox 360 batendo de frente com o seu novo equipamento de reconhecimento de movimentos, o tal do Kinect. Em algum lugar no Brasil, alguém ainda coloca o seu cartucho “Frogger” em seu Atari 2600 (Claro, sem antes dar aquela assoprada clássica que era o charme dos videogames de cartucho) e começa a jogar na mesma TV LCD que o seu PS3.

Mas como isso é possível? Qual é a mágica para funcionar um videogame com saída RF em TVs com entrada A/V?

Antes de qualquer coisa, uma breve descrição sobre entradas de vídeo e suas diferenças:

Videogames com conexão RF (Rádio Freqüência)

Ex: Atari, Nintendo 8 Bits, Master Sistem, Mega Drive, Super Nintendo.

RF ou rádio freqüência foi a conexão mais utilizada entre os videogames até mais ou menos a geração 16bits. O

Super Nintendo já vinha com uma entrada A/V e um cabo A/V Extra, mas eu bem me lembro que na época, minha TV só tinha entrada RF e eu quase não usei o cabo A/V. Esse tipo de conexão costumava deixar a imagem muito poluída com chuviscos pois o sinal de áudio e vídeo era misturado em um único sinal de rádio freqüência pelo cabo coaxial e depois a TV que recebia o sinal, separava o áudio e vídeo para exibir o conteúdo, geralmente era necessário colocar em um canal específico da TV (Canal 3 ou 4).

Videogames com conexão A/V (Audio e Vídeo Composto)

É o clássico trio de cabos amarelo, vermelho e branco. Foi o mais utilizado de todos até a nova geração em alta resolução. Nesse caso o vídeo (Cabo amarelo) é separado do áudio (Branco e vermelho, ou só branco quando é mono).

Depois vieram as conexões melhores como o vídeo componente e o HDMI para o Playstation 3 e as ultimas versões do Xbox360.

Mas e o Atari? Como fazer para ligar o Atari em uma TV atual utilizando as entradas de vídeo componente? Existe algum tipo de adaptador?

A Saga da Ressurreição:

Eu estava limpando um armário velho, cheio de tranqueiras que eu tenho no porão de casa e achei o meu Atari soterrado entre rádios quebrados e outras porcarias eletrônicas. Fiquei com dó do estado da criatura e resolvi ver se depois de tantos anos guardado seria possível funcionar. Então me deparei com o problema da conexão de vídeo antiga dele.

Pesquisei na internet algum tipo de adaptador ou conector e ao invés disso, encontrei um tutorial que ensinava a fazer um MOD para converter o Atari de RF para A/V.

O endereço era esse: http://sti.br.inter.net/elucas/artigos/Atari-AV/

A idéia era muito simples e exigia bem pouco de conhecimentos de eletrônica. Bastava saber como soldar fios resistores e capacitores e também saber como remover componentes eletrônicos soldados em uma placa a mais de 30 anos atrás.

Esse vídeo mostra como foi o trabalho de alteração do videogame, mas como eu fiz tudo totalmente sozinho, inclusive a filmagem com uma câmera fotográfica digital comum, só consegui filmar partes do trabalho. Não tinha como filmar e soldar ao mesmo tempo, por exemplo. Postei o vídeo no Youtube, segue o link:

Primeiro de tudo tive que literalmente lavar o videogame! Desmontei ele e toda a parte plástica da carcaça, que estava dominada pela poeira, lavei com água e sabão, esfreguei muito mesmo pra sair aquela crosta nojenta de 20 anos nele. Mesmo depois de lavar, algumas partes ficaram esbranquiçadas, provavelmente pela ação do tempo no material. Passei uma espécie de graxa líquida de sapato, daquelas que vem no tubinho com esponja na ponta e ficou com cara de novo outra vez.

Fui à Santa Ifigênia compras os componentes da lista e não sabia a dificuldade que seria de encontrar pequenos componentes eletrônicos como capacitores e resistores.  Quando encontrei uma “microlojinha”, daquelas que é só um corredor mesmo, mas que tinha tudo que você pode imaginar. Entreguei pra senhora do balcão a minha lista e ela juntou todos os componentes em um saquinho e quando eu achei que iria gastar uma graninha razoável, eu vi o preço e fiquei em choque! Oitenta centavos! Isso mesmo, R$0,80 oitenta centavos em material pra fazer a modificação. Tudo bem que isso não incluía o cabo A/V e nem a solda que eu gastei, mas em fim, muito barato pra trazer o videogame de volta à vida.

Removi a tal plaquinha moduladora RF PAL-M e troquei o cristal NTSC. Na hora de soldar os fios e os resistores no chip STELLA, confesso que fiquei um pouco preocupado em errar os pinos soldando por baixo da placa, então fiz uma “gambiarra” recurso técnico e soldei os resistores direto “nas perninhas” do chip. Engraçado é que cada vez que eu esquentava uma solda da placa para remover um componente, subiu um cheiro horrível de veneno de barata antigo, talvez da solda usada, sei lá.

Feito todas as ligações que o tutorial pedia, liguei os cabos de vídeo e o de áudio (infelizmente o videogame vai ficar mono por limitação do próprio hardware) na TV, cruzei os dedos e liguei o videogame. A princípio apareceu uma imagem um pouco distorcida e sem cor do jogo, mas o controle não respondia. Então lembrei que esses videogames antigos não tinham tela de apresentação e o jogo iniciava na tela de “gameover”.  Iniciei o jogo e a musica nostálgica de Frogger quase me fez chorar, só que alguma coisa ainda não estava certa. A imagem estava perfeita, porem continuava sem cor. Mais algumas pesquisas na internet e encontrei esse outro site falando sobre como resolver o problema do NTSC de vez:

http://www.victortrucco.com/Atari/AtariPolyvoxNTSC/AtariPolyvoxNTSC.asp

No site, o autor mostra um capacitor (o tal do C14) que precisa ser removido e no seu lugar, deve ser feito um “Jumper” com um pedaço de fio. Caguei nas calças de medo de remover o tal capacitor e a porcaria do videogame morrer e todo o trabalho ir pro ralo. É triste ser Noob em eletrônica, juro que fiquei 15 minutos com o ferro de solda na mão, olhando pra placa do Atari, pensando se devia ou não arrancar o tal do capacitor. O Dilema era que funcionava, mas sem cor e remover o capacitor poderia fazer o VG deixar de funcionar e ficar sem cor, nem imagem, nem porcaria nenhuma. Então pensei: Fuck that shit! O VG nem funcionando estava mais, na pior das hipóteses eu iria colocar ele na estante sem os fios apenas para display. Arranquei o diabo do capacitor, fiz o jumper com o pedaço de fio e voltei a ligar o VG na TV.

Então eu vi a imagem mais linda de toda a minha vida nerd-gamistica. Atari Fullscreen colorido sem um ponto de chuvisco rodando em uma TV LCD de 40 polegadas. Acho que se alguém na época que inventaram o Atari tivesse a visão que eu tive ninguém pensaria em evoluir para as novas gerações.

Conclusão: Consegui fazer funcionar o Mod, mas ainda não comprei os jogos que eu mais curtia. Infelizmente não sei que fim levou meus antigos cartuchos e hoje tenho apenas o Frogger e um clone safado do Space Invaders. Estou muito feliz por ter feito essa ressurreição, mesmo que realmente eu não esteja jogando tanto quanto achei que iria. Vou preparar um post relacionado à outra aventura no mundo da gambiarra modificação de eletrônicos. Como fazer o seu próprio Fliperama Arcade em casa.

</ Tief >

 

Você esta na sua casa, tranquilo de folga, assistindo TV e tomando café da manhã, totalmente despreocupado com a vida, afinal, seu time é líder no campeonato, sua esposa foi trabalhar hoje e você tem o dia todo pra não fazer absolutamente nada, sem ter que dar satisfação a ninguém.

Na TV, nada de tão importante que prenda a sua atenção em um único canal. Em um jornal local só se fala nas passeatas contra qualquer coisa que agora virou moda na sua cidade, um bando de adolescentes “maconhistas” e viciados em sites de relacionamento, sem muito que fazer, estão sempre se juntando na principal avenida da cidade para protestar sobre coisas inúteis no seu ponto de vista. O que lhe chama a atenção é que nas duas ultimas passeatas, a coisa se tornou violenta e alguns manifestantes atacaram a policia, alguns pedestres e até a si mesmos. “Bando de nóias”, você pensa.

Em outro canal só se fala nas duas novas epidemias, ambas relacionadas com algum animal doméstico, que honestamente, pouco te importa, já que você não tem bicho nenhum em casa e nem mora em nenhum desses países distantes que vem acontecendo essas epidemias. Pouco se importa também com os aeroportos fechados, afinal você só vai mesmo pro trabalho a alguns quilômetros de casa e nem tem tempo pra viajar. Talvez esteja um pouco preocupado porque os sintomas sejam muito parecidos com uma virose comum e algumas pessoas conhecidas estão consideravelmente adoecidas, mas na TV não diz nada sobre casos de infecção no seu País.
Em outros canais, nada de anormal e como sempre, a mesma programação sem graça de todos os dias.

A única coisa que lhe chama a atenção de verdade é a silhueta do alguém na sua janela através da cortina. É estranho porque a pessoa não tocou a campainha ou até mesmo bateu na porta. Apenas está lá dentro do seu quintal, em frente à sua janela, no que parece um estado meio catatônico, balançando levemente da esquerda para a direita, como fazem as pessoas Internadas em manicômios, em seu estado mais agravado. Você levanta devagar e pergunta com pouca firmeza na voz o clássico “Quem esta aí?”, mas ao invés de responder, a figura antes catatônica, agora começa a bater no vidro com as duas mãos, de forma desajeitada. Você pega uma vassoura (que afinal, é a única coisa ao seu lado naquele instante) e da um passo em direção da janela e antes que você afaste a cortina para ver que está na janela, algo que um dia foi o filho do seu vizinho, agora sujo, fedendo e semi devorado, atravessa o vidro da sua janela violentamente e antes que você pergunte “Que merda é essa”, o maldito moleque já cravou seis dos cacos de dentes agora podres em seu braço, tão fundo que lhe rompe um ou dois tendões. A dor é tão grande que você tem um momento de surdez e mal pode ouvir o próprio grito. A visão também é drasticamente abalada e tudo ao redor parece borrado e disforme. O primeiro instinto é livrar o braço, agora totalmente dormente pelo excesso de dor e adrenalina no organismo, mas a impressão é de que os poucos dentes do agressor já tocaram o seu osso. Você soca com força a cabeça para que ele solte o seu braço, seu punho desliza nos cabelos úmidos e pegajosos dele e a força da pancada não sai como planejado. Parece sangue, parece que ele lavou os cabelos em um balde de sangue e não da mais pra saber de quem é o sangue. Outro golpe mais forte e só piora a pressão da mordida. E aquele cheiro, o mesmo de uma ferida muito infeccionada que ficou dias abafada em trapos de curativos. Outro soco e agora você tem a impressão de ouvir um ruído próximo de um estalo de galhos se partindo, abafados pela camada de pele e músculo da cabeça atingida, mas o cara parece não sentir absolutamente nada e cada impacto faz com que a carne do seu braço se rasge pouco a pouco, aumentando a ferida, mas não há força suficiente para que a mordida fique mais funda ou que o pedaço abocanhado seja arrancado, fazendo com que o agressor solte seu braço involuntariamente, deixando nele um ou dois pedaços de dentes.
A dor é lacerante e você perde o equilíbrio. O cheiro é insuportável e você já não sabe mais se é a causa do enjoo ou se foi a dor insuportável do braço. A impressão que você tem é que tudo está em câmera lenta, mas na realidade é justamente ao contrário, seu cérebro é que não consegue processar mais o que está acontecendo e parece que seu campo de visão diminuiu e você está vendo um filme rodando com metade dos frames. A ultima coisa que você vê antes de entrar completamente em choque pela dor é o seu vizinho se levantando lentamente, o cheiro está mais forte. Talvez duas ou três pessoas estejam entrando pela janela destruída, vindo em sua direção, com aquele cheiro. Agora você já sabe que cheiro é esse. É o cheiro de gente morta, de sangue coagulado. Então você desmaia antes de tudo acabar.
Ou será começar?

A história que acabei de escrever poderia ter um final diferente se você estivesse preparado. Realmente é difícil sobreviver a um ataque sendo pego de surpresa, no entanto, se você tiver algumas noções sobre o que pode vir a ser um ataque de zumbis, seria possível prever os sinais presentes nas noticias e se precaver de situações muito parecidas com a história acima.

Primeiro de tudo, quero deixar bem claro que esse post não é em momento algum nenhuma cópia, tradução ou plágio do livro “Zombie Survival Guide” do Max Brooks. Muito pelo contrário, o livro me serviu de inspiração para essa série que estou iniciando no Blog, tanto como foram os filmes de Romero e algumas adaptações e games com o mesmo tema.
Esta série tem como finalidade, prepará-lo para um eventual encontro com os chamados “Mortos Vivos” em qualquer situação, seja um pequeno caso isolado em um bairro, como algo maior como uma cidade, país, ou até mesmo um apocalipse mundial de proporções catastróficas, onde uma estimativa de vida a longo ou médio prazo, cai para absolutamente ZERO.
Tentarei desmistificar o tema “Zumbi”, separando a realidade da ficção apresentada nos famosos filmes hollywoodianos, abordando formas de combate e armas realmente eficazes, como outros assuntos de vital importância para a sobrevivência o máximo de tempo possível.

Continuarei com os outros posts da “programação normal” sobre games e coisas geeks, mas vez ou outra irei postar pequenos capítulos sobre essa nova serie em meu blog. Espero que tenhamos tempo de abordar todos os assuntos principais, antes que o pior nos aconteça.

Até a próxima edição, ou não…

Edit: Parte 02

Tief